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Você teria razões? | Série

13 reasons why

Já pensou se você teria razões?
Não sabe do que estou falando? 
A nova febre entre adultos e adolescentes, a nova série da Netflix "13 reasons why" (13 razões porquê ou Os 13 porquês). A série aborda assuntos super importantes e giram em torno do suicídio da adolescente Hannah Baker, na verdade sobre as 13 razões que ela dá para ter colocado fim à sua vida.
Hannah grava 7 fitas contando os motivos que a fizeram tomar essa decisão, cada lado da fita corresponde a uma pessoa. As fitas passam de razão para razão, a primeira razão (pessoa) recebe as fitas, escuta e passa para a próxima. Durante a série acompanhamos Clay escutando as fitas que recebeu e toda suas reações a partir de cada descoberta.

você teria razões

O que contem nessas fitas? Histórias de bullying, assédio, fofocas, algumas muito pesadas e outras nem tanto, mas que acumuladas as outras só servem para aumentar a bola de neve. 
Eu e o marido vimos a série em menos de 1 semana. Ela é envolvente e muito triste, infelizmente, não é aquela série que vais acabar e seguir a vida normalmente, ela te traz muita coisa da tua vida e principalmente da vida dos teus filhos.
A série divide opiniões de especialistas, alguns acreditam que ela não seja uma boa influência para os jovens, que ela pode despertar gatilhos para que cometam suicídio. Outros já acham que é uma série de extrema importância. 
Agora passo para o meu posicionamento, acredito que 13 reasons why é uma série que traz à tona um assunto muito pouco falado e muitas vezes até escondido, o suicídio de jovens. Também aborda o tema depressão, que muitas vezes não é tratado com a devida importância, principalmente, por familiares de pessoas que sofrem dessa doença. 
Só por ela trazer esse tipo de tema para dentro da nossa casa já acredito na importância dela. 
Eu já contei aqui no blog o ano passado que sofri bullying (leia aqui) e vejo até hoje como isso afetou a minha personalidade e a pessoa que sou hoje. Isso tanto para o bem quanto para o mal. Com certeza sou uma pessoa muito mais forte do que já fui um dia, mas com certeza para isso sofri muito. 
O que eu vejo da série, é que ela não é uma série própria para adolescentes, mesmo ela tendo sido pensada para atingir principalmente os jovens. Para mim ela é extremamente importante para pais e adultos, em como estamos cuidando dos nossos filhos, como estamos olhando para os nossos jovens. 
Eu sofri muito com todo tipo de bullying, mas com certeza ter a minha mãe por perto foi o que me deixou sempre forte para seguir em frente. Com certeza se eu não tivesse abertura em casa, uma mãe participativa e que me escutava como amiga, eu poderia ter sido uma Hannah. É meio forte isso, mas não é uma mentira.


A adolescência é um período sempre complicado e o jovem sempre prefere estar em sua zona de conforto, amigos conhecidos, a mesma escola, a mesma casa... Eu no meu 1º ano do segundo grau tive tudo isso modificado, troquei de escola, de colegas, de casa, não fui tão bem aceita por todos os colegas e ainda sofri por não ter a mesma vida financeira que muitos deles tinham ou aparentavam. Mas com a minha mãe sempre por perto me escutando e vendo as minhas modificações, tudo isso foi superado.
Outro ponto importante que a série aborda é o quanto sabemos da vida dos nossos filhos, sabemos com quem andam, como se portam, qual o exemplo que passamos a eles, o quanto estamos inseridos na vida deles. E o quanto isso é importante para ver pequenas modificações que possam demonstrar o quê está acontecendo na vida deles.
Ao ver a série me deparei com estereótipos de colegas de escola, o com muito dinheiro que acha que pode ter tudo, os que eram humilhados, os babacas que queriam apenas tirar sarro da cara dos outros, os que aparentavam ter algo para se incluírem no contexto... Foi uma viagem no tempo. 
E, infelizmente, vi o quanto a escola ainda precisa ser modificada, algo relatado numa série americana é o mesmo que se vive em escolas brasileiras. 
Eu mesma fui um caso, estava numa escola desde pequena, sempre fui boa aluna, tirava ótimas notas, aí na 5ª série fico revoltada e fico em recuperação. Qual era o problema? Minha avó, mãe da minha mãe, que morava conosco e ajudou a me criar estava muito doente e faleceu. A escola tinha total noção do que estava acontecendo, mas em NENHUM momento se preocupou em conversar comigo. Fico pensando, era uma escola pequena onde a diretora conhecia cada aluno e cada pai, imagina uma criança numa escola maior. 
Qual o papel da escola nesses momentos? Minha mãe, mãe solteira, perdendo a mãe, não tinha nem condições de se ligar que pudesse ser esse o problema, mas a escola, vejo, que tem o dever de acolher. Colocamos nossos filhos na escola acreditando que ela será uma extensão da nossa casa, mas não existe acolhimento e preparo suficiente para tratar com os problemas dos alunos.
Também passei por momentos na escola nova que as professoras preferiam dizer que não tinham visto o que aconteceu, por medo de levar uma bronca da direção, do que pensar no aluno que estava passando por algum tipo de problema de relacionamento com outros colegas. Vemos o quanto os professores ficam com sentimento de auto proteção do que de ajuda e isso deve ser melhor debatido. 
Muitas vezes não culpo os professores em si, mas a falta de preparo deles. Falta um acompanhamento psicológico, falta um apoio emocional. Pensem que eu estudava em escolas particulares, onde o professor é um pouco melhor remunerado, imagina escolas públicas em que os professores recebem mal, algumas vezes as escolas ainda são sucateadas, como que eles conseguirão dar esse pequeno cuidado aos alunos. É impossível!
Qual a minha posição sobre a série? Eu poderia dizer VEJA, mas não seria o certo. Analise a tua vida, veja se estás em um momento delicado, quanto o assunto suicídio pode te envolver emocionalmente e depois disso tome a tua decisão. 
Eu já tive depressão e não foi algo que me abalou nesse ponto, vi amigas que ficaram muito piores do que eu. Que após ver o último episódio relataram ter chorado muito, terem ficado sem dormir, não conseguiram comer ou coisas assim. A série atinge cada pessoa de uma forma diferente, pois cada pessoa tem uma bagagem de vida diferente da outra. 
Não dei qualquer tipo de spoiler, só aviso, existem cenas muito fortes e realmente chocantes, então esteja preparado. Ela não será uma série comum, ela te fará pensar muito, inclusive como tratas outras pessoas hoje, não seria por acaso que ela está sendo tão falada e discutida. 
Espero que ela não fique apenas como uma febre, mas um assunto constante dentro de casa e da escola. Teu filho pode não sofrer bullying, mas ele pode ser a causa do tormento de outros, então fique sempre atento. Não é engraçado colocar apelidos, rir dos outros ou debochar. Esteja sempre atento para que não sejamos a razão de ninguém!


Leia também no blog Mamãe Virtual , Baú de Menino (contém spoiler) e A Mãe Coruja (também contém spoiler) cada texto abordando de um jeito a mesma série.

Eu sofri bullying

bullying

Antigamente não conhecíamos esse nome, mas se sofria da mesma forma. Acho que não tínhamos relatos de ninguém se matando por causa disso, pois não tínhamos a internet e as redes sociais para que tudo fosse pior ou que as informações se propagassem. E posso dizer, tenho medo do futuro da minha filha por causa disso.
Eu sofri muito com as brincadeiras e discriminação tanto na infância quanto na adolescência. Acho que o primeiro caso que eu lembro, foi de uma professora, a mesma que me forçou a fazer um desenho para o pai que eu não tinha (bem querida ela, né?), mas vou dizer para vocês que ela tinha bem cara de pessoa tranquila e amável e assim ela falava as coisas ferindo as crianças lentamente sem que fosse tão brutal quanto um grito pudesse ser. 
Depois foram as fases das mudanças e cedo eu já tinha muitas espinhas, então comecei a sofrer com isso. Mas vou dizer, nada parecido com o que eu sofri quando adolescente. 
Bom, depois que minha avó faleceu o dinheiro lá em casa apertou e a saída para continuar estudando em escola particular foi conseguir uma bolsa. E foi exatamente isso que a minha mãe fez, foi o melhor para os meus estudos, mas complicado para eu não me sentir menos do que os outros. 
Eu me sinto a pessoa ame ou deixe-o, sabe?! Sei que não sou uma unanimidade, pois desde sempre não aceitava a história de dançar conforme a música. Claro que isso fez com que eu sofresse a vida inteira. 
No último ano nessa escola umas meninas me perseguiram sem parar, até que um dia eu cansada soltei uma piadinha sobre elas no meio da sala (eu sei, eu pedi). Bastou para que uma delas resolvesse me bater. Mas acho que eu estava com tanta raiva de tudo que tinha sofrido, que no final, quem acabou apanhando foi ela. Nem imaginava a força que eu tinha, mas o que uma raiva acumulada não faz?! 
O problema maior foi quando acabou o 1º grau e eu precisei trocar de escola, já que a minha escola só ia até a 8ª série. 
Eram colegas que eu não conhecia, a maioria de famílias com dinheiro e já tinham seus grupinhos (eu era de uma cidade pequena). 
Primeiro sofri pela minha fisionomia, lembram que a gente estava com problemas financeiros, então, precisava usar aparelho nos dentes e naquela época era super caro e neste ano não tinha como eu colocar. Então muitas vezes ficavam com brincadeirinhas com isso. 
Depois eu ainda consegui fazer inimizade com algumas meninas e elas fizeram questão de todo momento que pudessem me humilhar publicamente. E eu contava tudo para minha mãe, mas minha mãe mesmo tentando intervir era complicado.
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Adendo sobre a minha mãe, ela além de ser mãe solteira, também é filha de mãe solteira. Uma vez voltando da escola foi atacada por um cara na rua, chegou em casa chorando e foi contar para a minha avó e a minha avó não fez absolutamente nada, pois como era mãe solteira achava que tinha que aceitar tudo que faziam a elas. Naquele dia minha mãe prometeu para ela mesma que sempre iria defender a futura filha dela, não importasse o que fosse. 
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E isso minha mãe fez sempre, até algumas vezes exagerava. Mas hoje entendo mais ainda que tudo que ela fez foi para que eu não sofresse, porém é complicado num ambiente escolar, já que precisamos conviver todos os dias com as pessoas que nos atacam.
Com a minha fisionomia depois de um tempo aprendi a entrar na brincadeira e acabei virando amiga dos meninos que me incomodavam. É aquela história, se não pode com eles, junte-se a eles. E do mesmo jeito que eles soltavam brincadeiras para mim, eu soltava para eles e tudo ficava tranquilo. 
Eu fiz magistério nessa escola e então tentava andar mais com as meninas que faziam magistério também do que com os colegas que faziam ensino médio normal. No primeiro ano eles juntavam as turmas e não tinha divisória entre magistério e ensino médio, isso só aconteceu no 2º ano. 
Só que a menina que eu comecei a andar mais, já estudava desde pequena na escola e tinha uma certa condição melhor que a minha. Um dia resolvemos ir em um show e ela chamou as amigas que eram de outra escola para irem também. 
Mas do nada ela disse que não tinha como me dar carona. Ok, tentei entender mais ou menos e fui com os meus primos. Quando estava chegando no local do show, bem na frente, lá está essa minha "amiga" saindo do carro do pai dela com as 2 amigas. 
Olho para o carro e notei que não tinha qualquer motivo para ela não me dar carona, mas tudo bem, era uma idiota e fiquei andando com elas no show. 
Passado alguns dias noto que essa minha "amiga" não quer mais falar comigo, estava estranha. Até que um dia resolvi ligar para ela para saber o motivo e me falou sem pestanejar "minhas amigas te odeiam"
Desliguei o telefone muito triste e chorando muito. Depois ainda descobri o motivo do ódio delas, eu não tinha carro.
Vocês conseguem imaginar como é isso? Que valores essas criaturas tinham recebido? Como é que uma pessoa pode não gostar da outra por causa de bens materiais e não por caráter, simpatia...
Ainda sofri com essas pessoas no meu segundo ano do segundo grau e no terceiro ano aos poucos eu conseguia me virar. Tinha 2 amigas de sempre e convivia mais com a galera que não era da minha turma e me aceitava pelo que eu era e não pelo que tinha (amigos que tenho até hoje). 
Posso dizer que eu sofri muito por isso, mas a vida continuou.
O meu outro problema era que eu me identificava muito mais com os meninos na hora de ter qualquer relacionamento do que com as meninas. Eu era aquilo, se eu gostava, gostava apenas daquele e era isso. Tive colegas que mesmo sabendo que eu gostava do menino ficavam com ele e eu não brigava, pois nunca quis colocar os namoricos na frente das minhas amizades. Mesmo algumas delas ficando apenas para mostrar poder. 
Mas a maioria das meninas não pensam assim e isso era um problema, pois como eu pensava diferente, no momento que elas me diziam que não gostavam de fulano de tal, era carta branca pra eu poder ficar com o menino se eu estivesse afim. 
E sendo assim, tive problemas com isso. Mais precisamente no meu 1º ano da escola nova que aguentei meninas que tomaram as dores de outra que nem ficou de mal comigo e resolveram me perseguir, fazer musiquinhas e coisas piores para me humilhar. E frisando, a menina que teria sido "atingida" nunca brigou comigo, muito pelo contrário.
Nunca fiz por mal, muito pelo contrário, era apenas uma soma de fatores, pensar como os meninos de que se o guri não quer estar comigo e sim com outra a vida segue e eu não vou ficar brigando com ninguém por causa disso e minha baixa auto estima de ver que um menino que outras meninas achavam bacana estava interessado por mim. 

Imaginem que aconteceu tudo isso, que para alguns pode até ser besta, em épocas antes da internet, imaginem se existissem redes sociais? Certo que o grupo que gostava de me atacar no meu primeiro e segundo ano de escola teriam me feito coisas horríveis em um facebook, por exemplo. 

E é disso que tenho medo, pois não sei o mundo que espera a minha filha, qual o tamanho da maldade. Quantos pais que não entendem que isso começa na infância e o que fazem perto das crianças são exemplos que arrastam. Já notei algumas coisas chatas aqui no condomínio com a Malu e encontrei esse relato da Mari do blog Caderninho da Mamãe que corrobora um pouco com o que falei "Bullying infantil. Ou sobre quando minha filha foi rejeitada."

O que isso trouxe para a minha vida é que mesmo com a minha auto estima tendo ficado mais elevada com o passar dos anos, algumas vezes, ainda me sinto voltar para a adolescência nos tempos de colégio. Com pessoas que ainda valorizam mais o ter do que o ser, com panelinhas e atitudes mesquinhas e essas pessoas depois têm filhos e passam esses valores distorcidos para as crianças. 
Sinceramente, espero muito que isso mude, mas aos poucos vejo que só o que posso fazer é preparar a minha filha e ensiná-la que o que conta é o coração. 
Torço para que muitos outros pais façam o mesmo!

discriminação
Imagem retirada da internet
* Esse texto foi editado depois de fazer mais algumas análises de mim mesma.
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