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Você teria razões? | Série

13 reasons why

Já pensou se você teria razões?
Não sabe do que estou falando? 
A nova febre entre adultos e adolescentes, a nova série da Netflix "13 reasons why" (13 razões porquê ou Os 13 porquês). A série aborda assuntos super importantes e giram em torno do suicídio da adolescente Hannah Baker, na verdade sobre as 13 razões que ela dá para ter colocado fim à sua vida.
Hannah grava 7 fitas contando os motivos que a fizeram tomar essa decisão, cada lado da fita corresponde a uma pessoa. As fitas passam de razão para razão, a primeira razão (pessoa) recebe as fitas, escuta e passa para a próxima. Durante a série acompanhamos Clay escutando as fitas que recebeu e toda suas reações a partir de cada descoberta.

você teria razões

O que contem nessas fitas? Histórias de bullying, assédio, fofocas, algumas muito pesadas e outras nem tanto, mas que acumuladas as outras só servem para aumentar a bola de neve. 
Eu e o marido vimos a série em menos de 1 semana. Ela é envolvente e muito triste, infelizmente, não é aquela série que vais acabar e seguir a vida normalmente, ela te traz muita coisa da tua vida e principalmente da vida dos teus filhos.
A série divide opiniões de especialistas, alguns acreditam que ela não seja uma boa influência para os jovens, que ela pode despertar gatilhos para que cometam suicídio. Outros já acham que é uma série de extrema importância. 
Agora passo para o meu posicionamento, acredito que 13 reasons why é uma série que traz à tona um assunto muito pouco falado e muitas vezes até escondido, o suicídio de jovens. Também aborda o tema depressão, que muitas vezes não é tratado com a devida importância, principalmente, por familiares de pessoas que sofrem dessa doença. 
Só por ela trazer esse tipo de tema para dentro da nossa casa já acredito na importância dela. 
Eu já contei aqui no blog o ano passado que sofri bullying (leia aqui) e vejo até hoje como isso afetou a minha personalidade e a pessoa que sou hoje. Isso tanto para o bem quanto para o mal. Com certeza sou uma pessoa muito mais forte do que já fui um dia, mas com certeza para isso sofri muito. 
O que eu vejo da série, é que ela não é uma série própria para adolescentes, mesmo ela tendo sido pensada para atingir principalmente os jovens. Para mim ela é extremamente importante para pais e adultos, em como estamos cuidando dos nossos filhos, como estamos olhando para os nossos jovens. 
Eu sofri muito com todo tipo de bullying, mas com certeza ter a minha mãe por perto foi o que me deixou sempre forte para seguir em frente. Com certeza se eu não tivesse abertura em casa, uma mãe participativa e que me escutava como amiga, eu poderia ter sido uma Hannah. É meio forte isso, mas não é uma mentira.


A adolescência é um período sempre complicado e o jovem sempre prefere estar em sua zona de conforto, amigos conhecidos, a mesma escola, a mesma casa... Eu no meu 1º ano do segundo grau tive tudo isso modificado, troquei de escola, de colegas, de casa, não fui tão bem aceita por todos os colegas e ainda sofri por não ter a mesma vida financeira que muitos deles tinham ou aparentavam. Mas com a minha mãe sempre por perto me escutando e vendo as minhas modificações, tudo isso foi superado.
Outro ponto importante que a série aborda é o quanto sabemos da vida dos nossos filhos, sabemos com quem andam, como se portam, qual o exemplo que passamos a eles, o quanto estamos inseridos na vida deles. E o quanto isso é importante para ver pequenas modificações que possam demonstrar o quê está acontecendo na vida deles.
Ao ver a série me deparei com estereótipos de colegas de escola, o com muito dinheiro que acha que pode ter tudo, os que eram humilhados, os babacas que queriam apenas tirar sarro da cara dos outros, os que aparentavam ter algo para se incluírem no contexto... Foi uma viagem no tempo. 
E, infelizmente, vi o quanto a escola ainda precisa ser modificada, algo relatado numa série americana é o mesmo que se vive em escolas brasileiras. 
Eu mesma fui um caso, estava numa escola desde pequena, sempre fui boa aluna, tirava ótimas notas, aí na 5ª série fico revoltada e fico em recuperação. Qual era o problema? Minha avó, mãe da minha mãe, que morava conosco e ajudou a me criar estava muito doente e faleceu. A escola tinha total noção do que estava acontecendo, mas em NENHUM momento se preocupou em conversar comigo. Fico pensando, era uma escola pequena onde a diretora conhecia cada aluno e cada pai, imagina uma criança numa escola maior. 
Qual o papel da escola nesses momentos? Minha mãe, mãe solteira, perdendo a mãe, não tinha nem condições de se ligar que pudesse ser esse o problema, mas a escola, vejo, que tem o dever de acolher. Colocamos nossos filhos na escola acreditando que ela será uma extensão da nossa casa, mas não existe acolhimento e preparo suficiente para tratar com os problemas dos alunos.
Também passei por momentos na escola nova que as professoras preferiam dizer que não tinham visto o que aconteceu, por medo de levar uma bronca da direção, do que pensar no aluno que estava passando por algum tipo de problema de relacionamento com outros colegas. Vemos o quanto os professores ficam com sentimento de auto proteção do que de ajuda e isso deve ser melhor debatido. 
Muitas vezes não culpo os professores em si, mas a falta de preparo deles. Falta um acompanhamento psicológico, falta um apoio emocional. Pensem que eu estudava em escolas particulares, onde o professor é um pouco melhor remunerado, imagina escolas públicas em que os professores recebem mal, algumas vezes as escolas ainda são sucateadas, como que eles conseguirão dar esse pequeno cuidado aos alunos. É impossível!
Qual a minha posição sobre a série? Eu poderia dizer VEJA, mas não seria o certo. Analise a tua vida, veja se estás em um momento delicado, quanto o assunto suicídio pode te envolver emocionalmente e depois disso tome a tua decisão. 
Eu já tive depressão e não foi algo que me abalou nesse ponto, vi amigas que ficaram muito piores do que eu. Que após ver o último episódio relataram ter chorado muito, terem ficado sem dormir, não conseguiram comer ou coisas assim. A série atinge cada pessoa de uma forma diferente, pois cada pessoa tem uma bagagem de vida diferente da outra. 
Não dei qualquer tipo de spoiler, só aviso, existem cenas muito fortes e realmente chocantes, então esteja preparado. Ela não será uma série comum, ela te fará pensar muito, inclusive como tratas outras pessoas hoje, não seria por acaso que ela está sendo tão falada e discutida. 
Espero que ela não fique apenas como uma febre, mas um assunto constante dentro de casa e da escola. Teu filho pode não sofrer bullying, mas ele pode ser a causa do tormento de outros, então fique sempre atento. Não é engraçado colocar apelidos, rir dos outros ou debochar. Esteja sempre atento para que não sejamos a razão de ninguém!


Leia também no blog Mamãe Virtual , Baú de Menino (contém spoiler) e A Mãe Coruja (também contém spoiler) cada texto abordando de um jeito a mesma série.

Eu sofri bullying

bullying

Antigamente não conhecíamos esse nome, mas se sofria da mesma forma. Acho que não tínhamos relatos de ninguém se matando por causa disso, pois não tínhamos a internet e as redes sociais para que tudo fosse pior ou que as informações se propagassem. E posso dizer, tenho medo do futuro da minha filha por causa disso.
Eu sofri muito com as brincadeiras e discriminação tanto na infância quanto na adolescência. Acho que o primeiro caso que eu lembro, foi de uma professora, a mesma que me forçou a fazer um desenho para o pai que eu não tinha (bem querida ela, né?), mas vou dizer para vocês que ela tinha bem cara de pessoa tranquila e amável e assim ela falava as coisas ferindo as crianças lentamente sem que fosse tão brutal quanto um grito pudesse ser. 
Depois foram as fases das mudanças e cedo eu já tinha muitas espinhas, então comecei a sofrer com isso. Mas vou dizer, nada parecido com o que eu sofri quando adolescente. 
Bom, depois que minha avó faleceu o dinheiro lá em casa apertou e a saída para continuar estudando em escola particular foi conseguir uma bolsa. E foi exatamente isso que a minha mãe fez, foi o melhor para os meus estudos, mas complicado para eu não me sentir menos do que os outros. 
Eu me sinto a pessoa ame ou deixe-o, sabe?! Sei que não sou uma unanimidade, pois desde sempre não aceitava a história de dançar conforme a música. Claro que isso fez com que eu sofresse a vida inteira. 
No último ano nessa escola umas meninas me perseguiram sem parar, até que um dia eu cansada soltei uma piadinha sobre elas no meio da sala (eu sei, eu pedi). Bastou para que uma delas resolvesse me bater. Mas acho que eu estava com tanta raiva de tudo que tinha sofrido, que no final, quem acabou apanhando foi ela. Nem imaginava a força que eu tinha, mas o que uma raiva acumulada não faz?! 
O problema maior foi quando acabou o 1º grau e eu precisei trocar de escola, já que a minha escola só ia até a 8ª série. 
Eram colegas que eu não conhecia, a maioria de famílias com dinheiro e já tinham seus grupinhos (eu era de uma cidade pequena). 
Primeiro sofri pela minha fisionomia, lembram que a gente estava com problemas financeiros, então, precisava usar aparelho nos dentes e naquela época era super caro e neste ano não tinha como eu colocar. Então muitas vezes ficavam com brincadeirinhas com isso. 
Depois eu ainda consegui fazer inimizade com algumas meninas e elas fizeram questão de todo momento que pudessem me humilhar publicamente. E eu contava tudo para minha mãe, mas minha mãe mesmo tentando intervir era complicado.
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Adendo sobre a minha mãe, ela além de ser mãe solteira, também é filha de mãe solteira. Uma vez voltando da escola foi atacada por um cara na rua, chegou em casa chorando e foi contar para a minha avó e a minha avó não fez absolutamente nada, pois como era mãe solteira achava que tinha que aceitar tudo que faziam a elas. Naquele dia minha mãe prometeu para ela mesma que sempre iria defender a futura filha dela, não importasse o que fosse. 
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E isso minha mãe fez sempre, até algumas vezes exagerava. Mas hoje entendo mais ainda que tudo que ela fez foi para que eu não sofresse, porém é complicado num ambiente escolar, já que precisamos conviver todos os dias com as pessoas que nos atacam.
Com a minha fisionomia depois de um tempo aprendi a entrar na brincadeira e acabei virando amiga dos meninos que me incomodavam. É aquela história, se não pode com eles, junte-se a eles. E do mesmo jeito que eles soltavam brincadeiras para mim, eu soltava para eles e tudo ficava tranquilo. 
Eu fiz magistério nessa escola e então tentava andar mais com as meninas que faziam magistério também do que com os colegas que faziam ensino médio normal. No primeiro ano eles juntavam as turmas e não tinha divisória entre magistério e ensino médio, isso só aconteceu no 2º ano. 
Só que a menina que eu comecei a andar mais, já estudava desde pequena na escola e tinha uma certa condição melhor que a minha. Um dia resolvemos ir em um show e ela chamou as amigas que eram de outra escola para irem também. 
Mas do nada ela disse que não tinha como me dar carona. Ok, tentei entender mais ou menos e fui com os meus primos. Quando estava chegando no local do show, bem na frente, lá está essa minha "amiga" saindo do carro do pai dela com as 2 amigas. 
Olho para o carro e notei que não tinha qualquer motivo para ela não me dar carona, mas tudo bem, era uma idiota e fiquei andando com elas no show. 
Passado alguns dias noto que essa minha "amiga" não quer mais falar comigo, estava estranha. Até que um dia resolvi ligar para ela para saber o motivo e me falou sem pestanejar "minhas amigas te odeiam"
Desliguei o telefone muito triste e chorando muito. Depois ainda descobri o motivo do ódio delas, eu não tinha carro.
Vocês conseguem imaginar como é isso? Que valores essas criaturas tinham recebido? Como é que uma pessoa pode não gostar da outra por causa de bens materiais e não por caráter, simpatia...
Ainda sofri com essas pessoas no meu segundo ano do segundo grau e no terceiro ano aos poucos eu conseguia me virar. Tinha 2 amigas de sempre e convivia mais com a galera que não era da minha turma e me aceitava pelo que eu era e não pelo que tinha (amigos que tenho até hoje). 
Posso dizer que eu sofri muito por isso, mas a vida continuou.
O meu outro problema era que eu me identificava muito mais com os meninos na hora de ter qualquer relacionamento do que com as meninas. Eu era aquilo, se eu gostava, gostava apenas daquele e era isso. Tive colegas que mesmo sabendo que eu gostava do menino ficavam com ele e eu não brigava, pois nunca quis colocar os namoricos na frente das minhas amizades. Mesmo algumas delas ficando apenas para mostrar poder. 
Mas a maioria das meninas não pensam assim e isso era um problema, pois como eu pensava diferente, no momento que elas me diziam que não gostavam de fulano de tal, era carta branca pra eu poder ficar com o menino se eu estivesse afim. 
E sendo assim, tive problemas com isso. Mais precisamente no meu 1º ano da escola nova que aguentei meninas que tomaram as dores de outra que nem ficou de mal comigo e resolveram me perseguir, fazer musiquinhas e coisas piores para me humilhar. E frisando, a menina que teria sido "atingida" nunca brigou comigo, muito pelo contrário.
Nunca fiz por mal, muito pelo contrário, era apenas uma soma de fatores, pensar como os meninos de que se o guri não quer estar comigo e sim com outra a vida segue e eu não vou ficar brigando com ninguém por causa disso e minha baixa auto estima de ver que um menino que outras meninas achavam bacana estava interessado por mim. 

Imaginem que aconteceu tudo isso, que para alguns pode até ser besta, em épocas antes da internet, imaginem se existissem redes sociais? Certo que o grupo que gostava de me atacar no meu primeiro e segundo ano de escola teriam me feito coisas horríveis em um facebook, por exemplo. 

E é disso que tenho medo, pois não sei o mundo que espera a minha filha, qual o tamanho da maldade. Quantos pais que não entendem que isso começa na infância e o que fazem perto das crianças são exemplos que arrastam. Já notei algumas coisas chatas aqui no condomínio com a Malu e encontrei esse relato da Mari do blog Caderninho da Mamãe que corrobora um pouco com o que falei "Bullying infantil. Ou sobre quando minha filha foi rejeitada."

O que isso trouxe para a minha vida é que mesmo com a minha auto estima tendo ficado mais elevada com o passar dos anos, algumas vezes, ainda me sinto voltar para a adolescência nos tempos de colégio. Com pessoas que ainda valorizam mais o ter do que o ser, com panelinhas e atitudes mesquinhas e essas pessoas depois têm filhos e passam esses valores distorcidos para as crianças. 
Sinceramente, espero muito que isso mude, mas aos poucos vejo que só o que posso fazer é preparar a minha filha e ensiná-la que o que conta é o coração. 
Torço para que muitos outros pais façam o mesmo!

discriminação
Imagem retirada da internet
* Esse texto foi editado depois de fazer mais algumas análises de mim mesma.

Eu ontem, eu hoje - Reflexão de uma mulher

Foto Marla Gil Fotografia

Ontem, dia 06/06, completei 32 anos e é nesse momento que ficamos mais reflexivos com o que já fizemos na vida e o que gostaríamos ainda de fazer e conquistar. 
Caso uns 12 anos atrás alguém me perguntasse como estaria minha vida hoje, com toda certeza eu não acertaria nada. 
12 anos atrás eu estava fazendo cursinho pré-vestibular e era um fato, namorar era algo que não estava nos meus planos, ainda mais com um pé na faculdade, onde eu queria curtir muito. Eu curti muito, mas com namorado e pouco tempo depois já casada.
Eu imaginava que com 32 anos, eu até já pudesse estar casada, mas bem pouco tempo e com filho de meses no máximo, mas me imaginava trabalhando como jornalista e muito bem sucedida. Pois é, não me formei em Jornalismo e, sim, em Direito, não trabalho na minha área, já estou casada há 9 anos (pois é, casei com 23 anos) e tenho uma filha de 4 anos. 
Primeiro o Direito no lugar de Jornalismo foi uma opção de última hora. Na minha cidade não tinha o curso de Jornalismo na faculdade federal, na verdade, nem na particular até hoje não tem, então fiz a opção pelo que eu gostava um pouco mais. Fiz vestibular para Jornalismo na faculdade particular ao lado da minha cidade onde tinha o curso e passei em 2º lugar. Aí vocês se perguntam o motivo de eu não ter feito lá? Não fiz, pois no mesmo ano que passei no Jornalismo na particular, passei para Direito na federal. O Direito era numa federal e ainda na minha cidade que eu não precisaria ficar horas numa estrada ou até trocar de cidade e trazer mais gastos para minha mãe, preferi o Direito.
Com a opção do Direito encontrei o Daniel, namorei, casei, andei pelo Brasil e tenho a Maria Luísa.
Acho que mesmo depois de já namorando e casada continuava não pensando em ter um filho antes de já estar com o meu trabalho encaminhado e isso permaneceu até mesmo quando começamos a planejar engravidar. Malu veio planejada e não planejada, achei que ia demorar mais alguns meses para engravidar como via a maioria das mulheres que conhecia, mas não foi o que aconteceu.
Eu festejei minha formatura no final de julho de 2011 e engravidei em agosto do mesmo ano, achei que só fosse engravidar lá por fevereiro, quando já estivesse trabalhando e conseguisse meu auxílio maternidade certinho. 
Depois que Malu nasceu por várias vezes tentei estudar para concursos, mas toda vez a Malu adoecia e com isso o blog surgiu e a carreira jurídica foi deixada de lado. 
Vocês nesse momento devem achar que eu me arrependi de algo ou que não gosto de como a minha vida é, mas vou contar uma coisa para vocês... Tiveram momentos na minha vida inteira que questionei muito o motivo das coisas não acontecerem como eu gostaria que acontecessem, do motivo de terem acontecido coisas que não eram boas, mas desde 2005 eu parei com tudo isso.
2005 foi o ano que eu conheci o Daniel, pessoa importante para que a minha vida mudasse completamente e foi quando parei para pensar. Gente, eu demorei 3 anos para entrar na faculdade e nos anos que fui reprovada no vestibular eu só perguntava o motivo de outras pessoas passarem e eu não. No primeiro ano por causa do meu curso de magistério, só fiz curso intensivo de pré-vestibular e sem base do curso do magistério, o tempo foi curto de estudo. No segundo ano comecei bem direitinho, mas em agosto minha mãe descobriu um câncer de mama. Vocês sabem que minha mãe é mãe solteira e tenho um irmão mais novo adotivo, então eu tive que ser a pessoa responsável pela minha casa e conseguir estudar era a última coisa que eu pensava. No terceiro ano foi o que eu consegui que tudo se encaixasse e eu passei. 
Foi ruim ter esperado esses 3 anos, com certeza, mas aí a pessoa entra na faculdade e em 3 semanas começa a namorar o seu futuro marido (história completa em outro post) e tudo muda na minha vida. 


Desde aquele ano eu descobri que tudo tem o seu tempo, ainda tive momentos de questionar os motivos de Deus, nem sempre é fácil. 
Com toda certeza eu já queria ter um trabalho mais estabilizado para dar coisas melhores para a Maria Luísa, mas será que o que ela precisava até agora eram coisas ou uma mãe em casa? Uma mãe que pudesse cuidar da saúde dela como ela precisou com apenas 1 ano de vida? Que estivesse ao lado dela quando nos mudamos e ela ainda não estava adaptada?

Foto Viviane Ricardo Fotografia

Com meus 32 anos eu aprendi que posso querer muito mais, que vou conseguir muito mais, mas que tudo que eu já tenho é maravilhoso e um grande motivo para comemorar. 
Com 32 anos eu entendi que não é fácil, que as pessoas não são fáceis, que te cobram por tudo, mas que não querem entender o teu lado ou se colocar no teu lugar. A tal da empatia é cada dia mais difícil nos tempos de hoje em que se cobra muito, mas se faz tão pouco. 
Com 32 anos eu entendi que as coisas acontecem no momento certo, no tempo certo e algumas vezes chamam isso de sorte, mas não é sorte, é Deus que entendeu o teu trabalho e o teu tempo para que tudo fosse feito no instante que deveria ser.
Com 32 anos eu compreendi que eu não posso parar de correr muito atrás, pois se eu não fizer isso, não chegarei no momento da "sorte".
Então que comecemos os 32 anos com o pé direito!!!

Foto Marla Gil Fotografia

Realidade da adoção

A adoção no Brasil ainda não tem o melhor processo do mundo, mas caso penses em dar esse passo deverias entender o que pode fazer com que demore muito mais para teres teu filho nos braços.
Neste post tenho a ajuda do Rafael da linda família Quadros Gerhardt contando um pouquinho de tudo que envolveu a adoção do João e a realidade que envolve esse tema.

Foto Daniela Dimer

"Hoje a realidade das adoções no Brasil é a mais diversificada possível.
Muitos que estão na fila de espera para adotar, reclamam do tempo que muitas vezes levam anos para terem seus filhos... Mas não podemos julgar sem antes sabermos o perfil da criança que este adotante solicitou. Hoje a maioria das crianças em abrigos ou destituídas são meninos, maiores de 10 anos, pardas ou negras. Enquanto que a maioria dos adotantes pede menina, recém-nascida, loira e de preferência com olhos azuis. Então vejam que as crianças aptas para adoção não correspondem com o perfil desejado.

Números da Adoção no Brasil (dados do Senado Federal)
1 em cada 8,15 crianças abrigadas está apta para adoção;
43,59% das crianças são do sexo feminino e 56,41% são do sexo masculino;
47,69% são pardas, 19,01% são negras e 33,01 são brancas;
36% das crianças possuem irmãos para adoção;
77,31% das crianças têm mais de 10 anos e apenas 4,15% tem entre 0 e 3 anos.

Acreditamos que a sociedade em si, ainda não está preparada para receber essas crianças, que muitas vezes sofrem preconceitos na escola, restaurantes, lojas, etc...
Precisamos repensar o modo de ver essas configurações familiares, deixarmos o pré-conceito de lado e olharmos com os olhos do coração ou com o sentimento que uma criança olha outra quando encontra uma família para amar e ser amada.
Falo isso porque um amigo nosso adotou um menino de 9 anos e meu filho que esta prestes a fazer 6 anos que também foi adotado mas com 4 meses, me falou um dia quando voltávamos de um parque aquático o qual fomos passar o dia com esse amigo e seu filho... Pai que bom que o Lucas agora tem uma família né? Eu respondi claro filho, e ele me respondeu, agora ele vai ser muito feliz porque tem uma família...
Então me digam se os adultos pensassem assim não viveríamos num mundo muito melhor?


Mas voltando para a adoção, quando eu e meu companheiro adotamos o nosso filho, não tivemos nenhum tipo de preconceito, desde o início do nosso processo no fórum, até fazermos os documentos novos (certidão, RG, CPF) o que acontece é que as instituições não estão preparadas para essas configurações familiares...
Na nossa cidade fomos o primeiro casal homoafetivo a adotar, então quando fomos fazer a certidão que a juíza já havia expedido, no cartório não tinham como preencher, tiveram que pedir auxílio para capital e após conseguiram fazer a certidão de nascimento do João Vitor.
Outro fato bem importante do despreparo foi o CPF, o atendente me respondeu que não poderia fazer, pois no sistema não consta dois pais, então insisti que precisa fazer o documento, ele olhou na certidão, e questionou se o nome do meu companheiro estava certo, falei que sim, então ele respondeu já sei como vou fazer (isso porque o meu companheiro se chama Lucimar... então o atendente olhou para mim e disse: Lucimar pode ser tanto homem como mulher, então vou colocar ele no espaço destinado a mãe e resolvido o problema). Falei que não poderia ser assim, porque mais tarde poderia dar problemas. Resumindo ele me olhou e disse: ou fazemos assim ou não tem como fazer.
Outra instituição que tivemos problemas foi no INSS, entramos com processo de licença maternidade / paternidade e após dois anos de audiências e entraves burocráticos, conseguimos tirar a licença, mas o que era para ser definido em uma semana levou mais de um mês, porque o INSS também não tinha no seu sistema como colocar o nome de um homem para tirar a licença.
Mas tudo isso no nosso ponto de vista é o despreparo e não preconceito como algumas pessoas falam.

Foto tirada no Fórum no dia que os papais conheceram o João.

Acreditamos que aos poucos vamos enfrentando essas “diferenças” e ganhando o espaço que é de todos por direito. Na escola, por exemplo, ficávamos insistindo no mesmo assunto da agenda, falamos com a direção, questionando o porque de ser Pai e Mãe ao invés de responsáveis por exemplo. Porque quando questionamos esses “detalhes” não é só por nós, mas e aquela criança que é filha de mãe solteira, ou aquela que não tem mãe ou que é criada pelos avós, tios, tias como ficam??? No ano passado, a agenda foi modificada e agradecemos a escola e aos pais também, porque todos saíram ganhando.
Outro fato interessante é em relação ao dia das Mães. Nosso filho no ano passado foi a primeira vez que questionou o porquê ele deveria cantar e ensaiar para o dia das mães já que ele não tinha mãe. Veja como as crianças não tem preconceito, é simplesmente um fato que acontece e que ele não entende o porquê fazer algo que não teria para quem se apresentar. Então tivemos reunião com a psicóloga da escola e direção. E foi o que questionamos novamente, tem uma coleguinha do meu filho que não tem pai e normalmente no dia dos pais, ela não participava da festinha ou eventualmente ela iria acompanhada do padrinho ou tio. Mas porque fazê-la passar por esse constrangimento. Após alguns dias tivemos retorno que então agora seria o dia da família e não mais dia das mães ou dos pais. Seria um encontro em que todas aquelas pessoas importantes para a criança poderiam estar presentes para a apresentação. Então acreditamos que o ideal realmente foi feito: O Dia da Família (lembrando que os presentes e trabalhinhos continuam sendo feitos e enviados para as mães ou pais), mas sem aquela exposição ou constrangimento de não ter um pai ou uma mãe para apresentar a sociedade.

Foto Daniela Dimer

E os trocadores de fraldas então! São sempre no banheiro feminino, por quê? Os pais não podem trocar seus filhos? Pai não vai passear no shopping com o seu filho sozinho? Como faz para trocar fralda?
Mas isso é um assunto que já se avançou muito. Hoje já existem os banheiros “família”, mas 6 anos atrás não tínhamos muito isso e era um grande problema.

Dia da união oficial dos papais do João. Foto Daniela Dimer

Mas a única coisa que é certa. Tudo vale a pena por um filho e é nisso que acreditamos e por isso batalhamos por tudo que nos é de direito, seja para nós ou para o nosso filho. Conforme a Constituição Federal, somos todos iguais perante a lei com todos os direitos e deveres. Então vamos fazer com que isso seja cumprido e não fique apenas no papel... Por isso que sempre falamos, nunca desista quando alguém lhe disser não, lute e vá até o fim naquilo que acredita, porque hoje estamos com nosso filho e a cada dia vamos conquistando mais espaço e direitos e lembrando que não queremos nada que não seja nosso, apenas fazendo valer as leis do nosso país, não só para nossa família, mas sim para todos os envolvidos em qualquer processo de discriminação, seja ela racial, sexual, social, de gênero, etc.
Abraços com carinho,
Família Quadros Gerhardt"

Vocês encontram mais histórias dessa família maravilhosa na página deles no facebook Amor Sem Preconceito. Curtam lá!


A relação dos pais separados

Imagem retirada da internet

Eu consigo ter a total certeza do quanto deve ser complicado para uma mãe solteira a relação com o pai do seu filho. Algumas vezes foi um relacionamento que não terminou bem, que deixou mágoas e isso se transfere para a relação de vocês como pais e com o filho de vocês.
Hoje eu resolvi falar desse tema tão delicado que é a relação dos pais separados.
Depois que eu pude compartilhar a minha história de filha de mãe solteira com muito mais gente do que eu poderia imaginar, fui convidada a participar de grupos de mães solteiras e consegui conversar com tantas outras mães solteiras e notei que o maior problema de tudo isso que elas enfrentam é como conduzir essa relação com o pai do seu filho.
Elas como mães leoas não demonstram problemas com o amor pelos filhos ou como educá-los, por isso digo não ser essa a parte mais difícil de conduzir como mãe solteira.
Bom, vou contar um pouquinho do meu caso para depois falar o que eu penso e como senti tudo isso.
Eu já comentei aqui que quando pequena, a partir de uns 3 anos até os 5, algumas vezes minha mãe me levava para ver o meu pai onde ele trabalhava. O encontro não era muito demorado, ele não era muito carinhoso comigo e nem era aquele que tentava brincar ou coisas do tipo. Os encontros se baseavam em minha mãe falando para ele algumas coisas que ele perguntava, mas era algo bem tranquilo, nunca houve discussão, reclamações ou qualquer coisa parecida. 
Quando eu perguntava para minha mãe dele, ela nunca falou mal. Falava mais ou menos como ele era, me mostrava algumas poucas fotos que ela tinha com ele e deu. Nunca saiu da boca da minha mãe, até eu me desiludir completamente com ele agora, uma frase como "ele não presta". Nada disso! Nunca!!!
A minha mãe nunca o exaltou, mas nunca falou mal. Ela simplesmente contava por cima como tudo aconteceu, nunca tiveram detalhes de brigas, discussões ou algo semelhante. Ao falar do término deles ela apenas me disse que eles não se amavam e que o relacionamento não deu certo. Sempre me pareceu que a minha mãe saiu muito bem dessa relação, as mágoas que ela possa ter dele nasceram depois com o fato dele não querer ser meu pai e depois por todas as mancadas que ele já deu comigo.
Qualquer mágoa que eu possa ter dele não foi construída pela minha mãe e sim, só e somente só, por ele e é a partir daí que eu começo a minha real conversa com vocês.
Vocês podem nunca ter namorado, mas vocês juntos sempre serão mãe e pai dos filhos de vocês. Sabe aquela história de pai e mãe não se separam, é a mais pura verdade. Para os filhos de vocês, vocês são um só, mesmo que para eles vocês nunca terem sido um casal.
Uma vez escutei de uma mãe "ahhh o meu filho tem que aprender desde pequeno que os pais são separados e por isso terá festas de aniversário separadas". Tudo bem ele saber que os pais são separados desde que ele é pequeno, mas ele não precisa saber que os pais se odeiam desde pequeno, que não conseguem conviver em um mesmo ambiente tão importante para ele desde pequeno.
Mulheres, quantas vezes vemos reclamações de mães que dizem que os pais não dão bola para os filhos, que se negaram a registrar ou que apenas pagam pensão? Muitas e muitas vezes, esses pais muito provavelmente não vão bater na tua porta querendo visita, claro que algumas vezes eles caem em si e isso pode acontecer. E isso faz com que fiques receosa se o teu caso for o último e por isso deves resguardar o teu filho, pedir mais cautela em tempos de visita e tudo mais, por medo de que ele volte a desaparecer. 
Mas se esse não é o teu caso e esse pai é presente desde o começo, mesmo que vocês não se deem mais tão bem ou então ele é o que mudou e agora está presente, tu realmente queres ser a pessoa que vai dificultar a relação do teu filho com o pai? Colocando impedimentos para as visitas, falando mal dele para o teu filho, discutindo com ele na frente do teu filho? Eu sei que pais também fazem isso e falo o mesmo para eles, vocês querem ser os responsáveis pelas birras do teu filho com a mãe? Ou com brigas entre eles? Acho que não, então o relacionamento entre vocês deve ser repensado.
Brigas na frente do filho, nunca façam isso! Falar mal do outro para o seu filho, nunca façam isso e passe isso para as outras pessoas da família que convivem com seu filho. Festas de aniversário separadas, evite isso. 
Lembro na minha formatura da faculdade eu presenciar alguns problemas como esses das festas separadas. Lá em Recife, a formatura é uma só, não existe recepção própria do formando como existe no Rio Grande do Sul. Então não tem como separar festas, e como fazer com pais separados que se acostumaram com festas separadas? Alguns dos meus colegas tiveram que comprar 2 bailes (mesas) para poder ter mesas separadas e os pais não precisarem se olhar naquele momento tão importante para o filho.
Vocês sabem como os meus colegas, já com mais de 20 anos, ficavam com essa situação? Péssimos! Eles viam que a maioria dos seus colegas, mesmo com os pais separados, teriam uma única mesa e eles tendo que pensar a melhor maneira para que os pais não se cruzassem e brigassem durante a festa tão importante para ele. 
O mesmo acontece com as festas de aniversário, criança ama festa e adora ter várias festas de aniversário, mas essa criança quer que seus pais estejam juntos nesse momento, juntos para celebrar a sua vida e não separados. Essas crianças não devem e não tem que lidar como uma situação tão horrível que é a não tolerância dos pais. 
Imaginem a situação, a criança mora com a mãe e essa mãe fica só falando na festinha que a criança vai ter de aniversário com isso, com aquilo... Aí a criança vai para a casa do pai e o pai falando coisas parecidas. Na cabeça dessa criança ela entende que os pais vão estar juntos nesse momento. 
Chega o dia da primeira festa e o pai não vai. Vocês conseguem imaginar a decepção dessa criança? O que dirás para o teu filho? Falarás que o pai não foi porque ele não pode ou porque ele vai ter outra festinha ou porque vocês não se dão bem? Como explicarás ao teu filho a ausência do pai? Qualquer resposta pode ser algo bem complicado, pois podes sem querer dizer ao teu filho que ele não é tão importante para o pai dele (eu estou usando na festa da mãe e a ausência do pai, mas isso é o mesmo para a festa do pai com a ausência da mãe). Vocês conseguem compreender que qualquer resposta pode criar algum tipo de tristeza ao teu filho que pode não ser externada naquele momento, mas terá consequências mais para frente?
Eu sei, entendo, mais que compreendo, que algumas vezes pode ser difícil, ou pela família do pai ou da mãe, possíveis namorados de algum dos dois, mas tudo tem que ser superado por causa do filho de vocês que é o mais importante de tudo isso. É somente um dia e todo mundo consegue ser civilizado, só cada um pensar "estou aqui pelo meu bem maior", isso serve para os pais e avós. 
Faça sempre o melhor para a aproximação de pai e filho, não impeça por ciúme ou egoísmo.
Uma criança ter que lidar com os problemas dos pais é horrível.

Imagem retirada da internet

Eu que já não era mais criança tive que contornar alguns problemas do relacionamento da minha mãe, pai e madrasta e já foi uma situação terrível. E isso que eu não era mais uma criança. Eu fico imaginando uma criança, um adolescente tendo que lidar com esses problemas, seria algo verdadeiramente insuportável. Pois a criança gosta das duas partes e não quer magoar ninguém e ela tem que ter todos os cuidados do mundo para não fazer isso, enquanto o certo seria esses adultos fazendo tudo de melhor para que essa criança se sinta bem, não saiba de qualquer problema entre eles e não precise ficar dividida. 
Nunca pense "mas meu filho não vai querer saber que eu fiquei mal naquele ambiente junto com o pai dele", ele nunca precisará saber, pois ele não tem que carregar esse tipo de peso
Pensem sempre antes de qualquer decisão, será que isso é o melhor para o meu filho? Será que não estou colocando as minhas vontades na frente? E assim faça o melhor!

A influência da madrasta

Muitas leitoras só souberam que eu era filha de mãe solteira depois que apareci no programa da Fátima Bernardes contando sobre o assunto. E a partir daí recebi alguns pedidos para contar mais um pouco sobre esse assunto e aqui estou eu para falar de um ponto muito importante que é a influência da madrasta que pode ajudar ou não para a aproximação de pai e filho.
Eu só consegui ver a importância da madrasta na relação de pai e filho, depois que eu fui mãe, pois só sendo mãe eu consegui ter a dimensão do quanto isso pode influenciar nessa relação.
Essa semana está mostrando muito isso na novela I love Paraisópolis, pois a protagonista acabou de virar madrasta. Em um capítulo que ela tinha acabado de casar, mostrou seu ciúme na relação do marido com a futura mãe da criança e isso pode ser um grande problema para que a relação do pai e da criança amadureça e seja saudável.
Normalmente a madrasta chega depois da gravidez já estar "formalizada", sei que pode acontecer de forma diferente, mas deixo para uma outra oportunidade, então muitas se colocam como "eu cheguei depois" e ponto e não é bem assim que tudo funciona.
Por exemplo, no meu caso, a minha madrasta chegou muitos anos depois, eu já tinha mais ou menos uns 9 anos, pelo que eu sei. E o meu pai não tinha me assumido como filha, mas ele contou a ela da minha existência, mas ela se colocou como tendo chegado depois e ponto, sem querer se meter na situação.
Eu antes entendia a posição dela, mas agora como mãe penso completamente diferente.
A maioria dos homens são inseguros, se o cara até hoje não tomou uma decisão de assumir um filho, pode ser que ele precise de uma ajuda para isso. Pois eu sou aquela que pensa "se o cara sabendo que tem um filho não o assumiu, como será com um filho meu?" Pois é, isso é um ponto bem importante para se pensar. Pois o cara está negando amor a uma criança e tu permitindo isso pode ser um problema mais para frente no teu relacionamento. Para mim parece um aval para que ele não seja tão responsável quando tiver um filho contigo.
E como eu disse, possa ser que ele precise de um empurrão para que essa relação aconteça e tu podes ser a pessoa responsável para que isso se torne real. No momento que tu te colocas "tu decides o que queres fazer" para o homem é como "eu prefiro que tudo continue do jeito que está", ou não é? 
Mulher conhece mulher e todas nós sabemos que quando queremos algo falamos o nosso ponto, insistimos, não existe mulher no mundo que não faça isso e quando tu colocas um "tu decide" é que ela não quer e o homem entende muito bem isso e prefere deixar como está, pois ele está num relacionamento amoroso legal e não quer que isso estrague.
Depois que virei mãe e sendo filha de mãe solteira, comecei a entender da grande influência que a madrasta tem nessa relação, vejo que a madrasta deve ser a pessoa que pode ter o poder de fazer esse elo. Não precisa ser ela e nem acho que deva ser a pessoa que vá ao encontro da criança, mas ela é a que diretamente com o seu companheiro tem como ajudá-lo a tomar a decisão de ter um contato com essa criança que realmente necessita dessa figura paterna. 
Saber se essa criança precisa de algum tipo de auxílio é muito importante e principalmente pelo fato do amor que sempre é valioso para qualquer criança em qualquer momento da sua vida. 
Entenda madrasta, essa criança não rouba teu espaço, não rouba teu amor, ela pode se transformar em um filho teu mais para frente e essa criança terá um afeto muito maior sabendo que fostes um pouco responsável para que essa relação acontecesse de maneira saudável.
Nunca impeça que teu namorado ou marido visite a criança, nunca coloque empecilhos, nunca faça caras feias, não demonstre ciúme por essa criança, lembre-se sempre que ela é a maior inocente dessa relação toda. Pois mesmo tu tendo chegado depois, mas sabendo de tudo, tu não tens como te colocar no patamar da criança que não pediu em nenhum momento para que a família dela fosse diferente da "tradicional". Tu és sim peça chave para que essa relação continue saudável ou se torne saudável.
Eu sempre falo, quando tu não entras numa relação enganada, começas ali a ter uma grande responsabilidade. Ter ciúme da criança ou da mãe da criança será tão ruim para o relacionamento da criança com o pai, como para o teu próprio relacionamento com o teu companheiro. E isso eu falo tanto para uma relação de pai e filho que ainda não se formou (pelo pai não ter assumido), quanto para uma relação de pai e filho já consolidada. 

Foto retirada do blog  Candice Curry: Women with Worth onde tem uma carta linda escrita por ela para a madrasta da filha.

Próximo tópico aqui será sobre a relação da mãe da criança com o pai, vou deixar para a próxima semana. 
Caso queiram saber mais como fazer algo diferente nessa relação, tirar dúvidas, falar teu posicionamento ou até mesmo teu depoimento pessoal, entre em contato comigo pelo email: mamaeemconstrucao@gmail.com 

Mamãe em Construção na Fátima Bernardes


Para quem acompanha o blog no instagram ou no facebook já sabe que na semana passada eu e a minha mãe fomos parar no Encontro da Fátima Bernardes. Foi algo super legal, fiquei muito, muito, muito feliz e como muita gente foi um amor, mandou mensagens parabenizando, mas também perguntando como que fomos lá e outras pessoas não conseguiram ver, então resolvi colocar tudo aqui.


Primeiro eu só tenho que agradecer a todos os leitores do blog, pois foram pessoas maravilhosas que me mandaram muito carinho e nos parabenizaram. Vocês não imaginam como eu fiquei feliz, eu em casa lendo os recados parecia uma retardada sorrindo sozinha para a tela do celular e o Daniel me olhava como uma cara estranha.rsrsrs 


Bom, como eu fui parar na Fátima Bernardes? Não foi pelo meu número absurdo de seguidores nas mídias sociais (ainda.rsrsrs), mas foi pelo conteúdo gerado no blog que trás confiança a quem lê. Isso foi algo que eu sempre primei, pela qualidade do que é escrito aqui, pois quero que as pessoas que encontrem o blog, encontrem algo bacana que faça com que voltem por terem gostado do que leram e foram atendidos nas suas dúvidas. 
E quando eles resolveram falar sobre Mãe solteira, foram à procura de uma filha ou filho de mãe solteira e encontraram no google o meu texto, Sim, sou filha de mãe solteira! Graças a todos os cliks dados no meu blog (sim, esses são muitos). Vocês o encontram nesse link.
E assim eles encontraram o meu contato e me ligaram na terça passada para eu contar mais um pouquinho da minha história e saber se eu gostaria de participar. Eu disse que não, claaaaaro que não, né. É óbvio que eu diria sim! Uma oportunidade maravilhosa para poder fazer o que eu tanto quero, ajudar outras pessoas, debater assuntos como esse que são tão importantes. 


E de quebra chamaram a dona Mary, minha mãe, para ir junto e falar um pouquinho. Vou dizer que foi ótimo, pois sozinha poderia ser que eu pirasse.
Então na quarta a gente já estava no aeroporto para embarcar para o Rio de Janeiro e quinta nós já estávamos no Projac para o programa. Muito rápido, muito maluco, mas muito legal. 


Ainda conhecemos pessoas que também fazem diferente e diferença nas suas vidas e na de outras pessoas, o Cristian Santos, hoje bibliotecário na Câmara dos Deputados em Brasília, com 5 faculdades, escreveu um livro e fala da importância das bibliotecas nas escolas, quando pequeno vendia cocadas que a mãe fazia para poder ter condições de estudar. E a Lívia, mãe solteira que hoje ajuda outras tantas mães com o projeto Mãe 2 em 1 (e entre essa e a outra semana estarei por lá também). Projeto que abrange palestras super importantes não só para mães solteiras, mas para qualquer mãe que quer ser empreendedora, que quer tocar a sua vida profissional após o nascimento dos filhos.
E claro, toda a equipe do programa que foi maravilhosa conosco, além da Fátima que foi uma pessoa super querida, que tenta te deixar super tranquila para poderes falar o que precisas. 

Foto do site da Globo.com

Eu espero ter conseguido passar um pouquinho de como foi e é a minha vida de filha de mãe solteira, mas como é um assunto enorme com vários detalhes, ainda vou voltar muitas vezes nele por aqui, pois recebi vários pedidos para contar e um pedido de vocês é uma ordem. Pois ajudar é o maior intuito do blog Mamãe em Construção!

E para quem não me viu na Fátima aqui vai o link do vídeo! Espero que gostem!!!



2 anos do blog!

Imagem retirada da internet

Terça-feira, dia 25/08, o blog completou 2 anos. Como muitas que acompanham o instagram e o facebook do blog sabem, fiz um pequeno evento chamado Coffee Break das Mamães aqui em Porto Alegre para comemorar esse momento tão especial.
E hoje quero contar para vocês como surgiu o blog em mim, na verdade quero contar como os aprendizados de maternidade começaram na minha vida.

Como eu já contei um post de mais ou menos 1 mês atrás, tenho um irmão que é adotado. O Fernando é filho de uma prima minha e nasceu quando eu tinha 8 anos. Acompanhei toda gestação dela, primeiros banhos, trocas de fralda... até que com 1 ano e 3 meses o Fernando ficou lá em casa não mais para ser meu primo, mas meu irmão. E assim consegui acompanhar de muito de perto o crescimento de uma criança sem ser a mãe dessa criança.
Com 9 anos tu já consegues lembrar do que foi feito e ter um pouco mais de noção e a convivência com ele foi o maior dos meus aprendizados maternos. Eu não trocava a fralda dele, mas via a minha mãe e avó fazerem. Acompanhei introdução alimentar, terror noturno, brigas por não querer comer, machucados de todos os tipos de gravidades, de raspão no joelho, a prego no pé, parar uma bicicleta com o pé (foi bizarro), cabeçada em parede pontuda... o Fernando sempre foi craque em formas bizarras de se machucar.
Com uns 12 anos eu fui a responsável pela adaptação dele na escola, pois minha avó faleceu, minha mãe sozinha era a que tinha que trabalhar e até tínhamos uma empregada, mas eu passava mais confiança a ele. Então adaptação de criança que grita e chora sem parar, sou craque! (a Malu foi bem mais tranquilo).
Minha mãe hoje é professora aposentada, mas durante anos além de professora foi diretora de uma escola na zona rural de Rio Grande. E eu e meu irmão vivíamos lá, vivenciando aquele ambiente escolar mais humilde, mas cheio de coisas boas para nos mostrar.
Com 15 anos, achei que trabalhar seria legal e resolvi procurar uma escolinha para cuidar das crianças (fiz isso escondida da minha mãe, só contei quando a dona me chamou para trabalhar), fiquei lá durante umas 2 semanas e a diretora da minha escola não me liberou das aulas do período da tarde que eram Educação Física e Informática e tive que largar os pequeninos de 1 ano que eu cuidava. Mais um ponto para aprender sobre cuidar de criança.
Depois fiz Magistério e durante os 3 anos e meio do curso dei aula para todas as idades, dos pequenos até 4ª série. Peguei crianças calminhas e as mais mal educadas que se possa imaginar. Meu estágio de conclusão foi em uma turminha de 2ª série e eles eram uns amores, abafa o caso de que eles já estão todos na faculdade. Durante o cursinho pré-vestibular tentei trabalhar novamente na mesma escolinha, mas depois da professora titular me deixar limpando vômito de um dos pequenos, minha mãe achou um absurdo, pois ganharia super pouco e ainda ela estava pagando caro no cursinho (vocês viram que ninguém me deixa trabalhar).
Vocês acham que depois que entrei na faculdade de Direito as crianças me deixaram? Nem pensar! 1º ano tinha que fazer uma pequena monografia, escolhi o tema Adoção, Tutela e Guarda. 
Depois no 2º ano tinha que fazer um artigo para apresentação em Direito Internacional, optei pelo assunto Meninas da China. Se vocês não sabem lá tinha a política do filho único (agora está um pouco abrandada) e as famílias optavam pelos meninos, então abortavam ou largavam na rua as meninas que eram geradas.
Meu Trabalho de Conclusão de Curso foi Publicidade Dirigida à Criança e ao Adolescente. Enfim, falar de criança sempre foi meu amor e minha paixão. 

Acabou a faculdade e eu engravidei. Fui uma das primeiras dos grupinhos de amigos a engravidar e foi muito bacana, pois depois amigas e amigos vinham me fazer várias perguntas de como fizemos o enxoval, chá de bebê, parto, alimentação, primeiro resfriado, amamentação... Cheguei a receber um agradecimento de uma amiga aberto no facebook de como eu tinha a ajudado durante toda gestação e fiz isso à distância. Fiquei super emocionada!

Eu só encontrei blogs maternos depois que a Malu nasceu, os que eu lia achava muito bacana e até me via contando as minhas histórias em um. Mas a minha ideia sempre foi passar em um concurso.

Saímos do Rio, onde a Malu nasceu, chegamos em Cachoeira do Sul, nos ambientamos e procuramos uma escolinha para a Maria Luísa. Ela se adaptou super bem e comecei a me organizar para estudar.
Mas a Maria Luísa começou a ficar direto doente, com várias alergias respiratórias. E não adianta, a mãe é que fica nesse momento. 
Até que em julho a médica dela disse que era adaptação demais de clima e escolinha e nos disse para tirá-la da escola. Ela saiu da escolinha e eu fiquei com ela em casa em período integral e tinha apenas uma diarista que me ajudava durante 3 dias. Mas na cabeça da Malu quando ela estava em casa era para ficar brincando comigo e não aceitava que eu estivesse no computador ou com livros. Chorava, batia no computador e eu tive que deixar para depois.
Ela saiu em julho e em agosto eu já estava ficando doida em casa. Conversando com o marido contei que uma amiga que troquei muita figurinha durante a gestação dela estava fazendo um blog e ele me perguntou porque eu não fazia também. Já que seria algo mais tranquilo, eu conseguiria passar o que eu mais gosto de falar, ajudaria outras pessoas e me sentiria útil, além de não ter que fazer os mesmos textos para todas as amigas. Pois ele me conhece e sabe que ficar parada nunca foi uma opção de vida, ficar cuidando da Malu nunca foi uma obrigação, mesmo que cansativo e eu tinha que achar algo que me desse uma certa obrigação mesmo sem ser.

E assim em 25/08/2013, o Mamãe em Construção nasceu. Ele veio com o intuito de ajudar outras mamães, passar todas as minhas experiências com a Maria Luísa, mas também tudo que aprendi durante a minha vida, sendo irmã mais velha, filha de professora, filha de mãe solteira, professora e estudando tudo que envolve o mundo infantil. Também adoro falar sobre casamento, mas isso eu vou aprendendo todos os dias e tento passar o que consegui aprender nesses quase 8 anos de casada. Além de alimentação que aprendi a comer depois que a Maria Luísa nasceu.
No começo ele ficou apenas como um lugar para escrever um pouco o que eu sentia e passava, depois de apenas 4 meses eu quase que o deixei de lado completamente, postava pouco, pois estava focada no começo do meu trabalho como decoradora. Fase bem difícil, pois largar o Direito não foi nada fácil. E apenas esse ano que me impulsionaram a voltar e foi quando resolvi mudar a cara dele e me empenhar mais em cada rede social. Em publicar com periodicidade e pesquisar a fundo o que as minhas leitoras querem e está dando um resultado pequeno ainda, mas gratificante. Toda vez que eu penso em desistir vem uma leitora querida dizendo que eu a ajudei muito em algum período e isso paga muito o tempo que eu fico aqui sentada escrevendo.

O blog nunca teve um intuito comercial, tudo que eu faço nele é com a intenção de ajudar cada mãe. Até mesmo o pequeno evento de terça era para juntar mães, pois sei que muitas vezes com filhos pequenos ficamos sozinhas em casa sem ter com quem conversar. E por isso ele foi feito em um dia de semana e não em um final de semana onde normalmente os maridos estão em casa e vocês já tem alguém para tagarelar. 

Eu agradeço a todas vocês e a todos vocês (pois sei que alguns homens também leem o blog) por fazerem com que o blog cresça cada dia mais. A cada visualização, curtida, seguidores, comentários nas redes sociais é uma felicidade imensa e vocês sempre serão uma inspiração. É a partir da necessidade de vocês que os posts são feitos, é a partir das dúvidas, dos medos... Muito obrigada! Muito obrigada! Muito obrigada!

Nós agradecemos muito a vocês!!!

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