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Mamãe em Construção na Fátima Bernardes


Para quem acompanha o blog no instagram ou no facebook já sabe que na semana passada eu e a minha mãe fomos parar no Encontro da Fátima Bernardes. Foi algo super legal, fiquei muito, muito, muito feliz e como muita gente foi um amor, mandou mensagens parabenizando, mas também perguntando como que fomos lá e outras pessoas não conseguiram ver, então resolvi colocar tudo aqui.


Primeiro eu só tenho que agradecer a todos os leitores do blog, pois foram pessoas maravilhosas que me mandaram muito carinho e nos parabenizaram. Vocês não imaginam como eu fiquei feliz, eu em casa lendo os recados parecia uma retardada sorrindo sozinha para a tela do celular e o Daniel me olhava como uma cara estranha.rsrsrs 


Bom, como eu fui parar na Fátima Bernardes? Não foi pelo meu número absurdo de seguidores nas mídias sociais (ainda.rsrsrs), mas foi pelo conteúdo gerado no blog que trás confiança a quem lê. Isso foi algo que eu sempre primei, pela qualidade do que é escrito aqui, pois quero que as pessoas que encontrem o blog, encontrem algo bacana que faça com que voltem por terem gostado do que leram e foram atendidos nas suas dúvidas. 
E quando eles resolveram falar sobre Mãe solteira, foram à procura de uma filha ou filho de mãe solteira e encontraram no google o meu texto, Sim, sou filha de mãe solteira! Graças a todos os cliks dados no meu blog (sim, esses são muitos). Vocês o encontram nesse link.
E assim eles encontraram o meu contato e me ligaram na terça passada para eu contar mais um pouquinho da minha história e saber se eu gostaria de participar. Eu disse que não, claaaaaro que não, né. É óbvio que eu diria sim! Uma oportunidade maravilhosa para poder fazer o que eu tanto quero, ajudar outras pessoas, debater assuntos como esse que são tão importantes. 


E de quebra chamaram a dona Mary, minha mãe, para ir junto e falar um pouquinho. Vou dizer que foi ótimo, pois sozinha poderia ser que eu pirasse.
Então na quarta a gente já estava no aeroporto para embarcar para o Rio de Janeiro e quinta nós já estávamos no Projac para o programa. Muito rápido, muito maluco, mas muito legal. 


Ainda conhecemos pessoas que também fazem diferente e diferença nas suas vidas e na de outras pessoas, o Cristian Santos, hoje bibliotecário na Câmara dos Deputados em Brasília, com 5 faculdades, escreveu um livro e fala da importância das bibliotecas nas escolas, quando pequeno vendia cocadas que a mãe fazia para poder ter condições de estudar. E a Lívia, mãe solteira que hoje ajuda outras tantas mães com o projeto Mãe 2 em 1 (e entre essa e a outra semana estarei por lá também). Projeto que abrange palestras super importantes não só para mães solteiras, mas para qualquer mãe que quer ser empreendedora, que quer tocar a sua vida profissional após o nascimento dos filhos.
E claro, toda a equipe do programa que foi maravilhosa conosco, além da Fátima que foi uma pessoa super querida, que tenta te deixar super tranquila para poderes falar o que precisas. 

Foto do site da Globo.com

Eu espero ter conseguido passar um pouquinho de como foi e é a minha vida de filha de mãe solteira, mas como é um assunto enorme com vários detalhes, ainda vou voltar muitas vezes nele por aqui, pois recebi vários pedidos para contar e um pedido de vocês é uma ordem. Pois ajudar é o maior intuito do blog Mamãe em Construção!

E para quem não me viu na Fátima aqui vai o link do vídeo! Espero que gostem!!!



Semana Paternidade Ativa: Marcos Piangers

E hoje a Semana da Paternidade Ativa continua com uma participação toda especial.
O Piangers faz humor e aí todo mundo pode achar que ele seria aquele homem que não ficaria brincando com as filhas para ficar curtindo com os amigos. Mas ele resolveu sair dessa lógica machista e se transformou num grande pai para as muito figuras Anita e Aurora.

Então vou apresentá-lo, para quem, pode, ainda, não conhecê-lo...

Marcos Piangers, pai da Anita e da Aurora, nascido em Santa Catarina, radialista, sendo um dos integrantes do fenômeno Pretinho Básico, tem uma coluna na Zero Hora que fala sobre a vida como pai de uma forma muito irreverente, e agora está lançando o livro "O Papai é Pop" pela editora Belas Letras.


Vamos à entrevista.

Mamãe em Construção: Gostaria de falar do início da tua vida. Como eu, também és filho de mãe solteira e como foi na tua casa, como a tua mãe tratou isso contigo? Ela escondia o que tinha acontecido ou falava abertamente?
Piangers: Minha mãe nunca me contou quem era meu pai. Isso sempre fez com que minha família criasse as teorias mais malucas. Pessoalmente, nunca morri de curiosidade: acho que a minha mãe merece todos os méritos por ter sido meu pai e minha mãe. Mais recentemente ela resolveu abrir o jogo, e é a história mais comum do mundo: um cara que a engravidou e não quis o filho. Uma história tão triste, e ao mesmo tempo tão comum.

Mamãe em Construção: Na escola e na vida como era ser um filho de mãe solteira? Lembras de algum episódio que te marcou?
PiangersLembro da minha mãe chegando atrasada em algumas apresentações do colégio. Coitada, trabalhava, sustentava a casa e ainda tinha que correr pra ver apresentações escolares, sempre sofríveis. Ela foi uma guerreira, como toda mãe solteira. 

Mamãe em Construção: Sempre pensaste que ao seres pai farias tudo diferente?
PiangersNão. Sempre quis ser pai mas também tinha aquela visão que a sociedade passa, do pai que paga as contas e fica vendo tv e bebendo cerveja. Ainda mais pra mim, que não tive exemplo em casa, essa figura paterna totalmente patética ainda foi meio forte no começo da paternidade. Aprendi a ser um bom pai lembrando da minha mãe e vendo minha mulher. 

Mamãe em Construção: Como foi ser pai? O que mudou na tua vida?
PiangersAprendi a apreciar os momentos mais triviais, a valorizar o esforço da minha mãe, a cultivar laços de amor com outras pessoas, a ouvir e me interessar por histórias infantis, a entender que é preciso ser doce e bondoso com as pessoas, que não há motivo para ser grosseiro ou impaciente. Mais do que ser um pai melhor, virei um ser humano melhor.

Mamãe em Construção: O que é pra ti ser um pai participativo, fazer teu papel de pai?
PiangersTudo. O pai presente é aquele que conseguiria fazer tudo: lavar a louça, limpar a casa, trocar fralda, colocar pra dormir, acordar de madrugada, contar história, dar banho, pagar as contas. Não há departamento da mãe e departamento do pai. Todos os departamentos são dos dois. Quanto mais participação melhor.



Mamãe em Construção: Desde o início trocaste fralda, deste banho, colocaste pra dormir? 
PiangersSim, essas coisas são básicas. Mas, com o tempo, aprendi a ficar mais tempo com elas. Menos trabalho e cerveja com só amigos pra poder ficar mais com elas. Porque passa rápido e eu nunca vi alguém dizer no leito de morte: “Devia ter ficado menos tempo com a minha família”.

Mamãe em Construção: Achas que precisaste de um apoio da tua mulher para fazer essas atividades? E tu achas importante o estímulo/ajuda da mãe?
Piangers: Dizem que as filhas são mais do pai, os meninos ficam mais com a mãe. Lá em casa minhas filhas adoram estar comigo e brincar comigo mas se minha mulher viaja sentem uma falta danada dela. O que a criança gosta é de segurança: querem a rotina que estão acostumadas. Mãe e pai presentes e atenciosos.

Mamãe em Construção: O que te fez começar a escrever a tua coluna no ZH sobre a paternidade e os teus dias com as tuas filhas?
PiangersComecei a desenhar cartoons com as coisas engraçadas que a Anita me falava. Como por exemplo: “Quero casar logo porque também quero mandar em alguém”. Depois comecei a escrever essas histórias. Em 2013 a ZH começou a publicar e com o tempo as pessoas passaram a se identificar muito com os textos.


Mamãe em Construção: Como veio o livro "O Papai é Pop”?
PiangersA editora me ligou em 2014 para publicar os textos que eu já tinha. Escrevi então mais alguns exclusivos pro livro. Cada texto que fazia muito sucesso, como o “Melhores Pais do Mundo” ou “Ser pai é fazer contas” eu pensava que esse seria o título do livro. Então me veio o nome O Papai é Pop, por causa da música dos Engenheiros do Hawai, o Papa é Pop. Como o Humberto Gessinger é da mesma editora, foi fácil liberar o título.

Mamãe em Construção: Com ele achas que estás ajudando outros pais? Como?
PiangersRecebo emails diariamente de pais que se sentem confortados com os textos, ou estimulados a serem mais presentes. São histórias lindas, que me emocionam e são meu pagamento. Vou doar toda a minha parte nos lucros do livro, então essas histórias só reforçam o senso de missão: tornar as famílias mais unidas, pais mais presentes, mães mais valorizadas.

Mamãe em Construção: Caso pudestes falar algo para o teu "pai" o que dirias a ele hoje, com a tua experiência de pai?
PiangersTente sempre ser melhor.

Mamãe em Construção: O que achas que a tua paternidade ativa faz para as tuas filhas?
PiangersQuero trazer segurança pra elas. Que elas saibam que sempre podem contar comigo, pra tudo, pra sempre.

Mamãe em Construção: Terias um recado para os papais neste dia dos pais que se aproxima?
PiangersSer pai é mais do que fotos bonitas nas redes sociais. Ser pai tem momentos chatos e cansativos. Ser pai é se apaixonar pelas trivialidades, pelo dia a dia. Ser pai é se emocionar com as coisas mais banais. Aproveite, que passa rápido.


Piangers, muito obrigada pela participação, muito obrigada pela tua coluna na ZH e muito obrigada pelo livro, pois sei que para muitos pais será o começo para uma nova paternidade, paternidade consciente de que só pagar as contas não conta, o que conta é o abraço, os sorrisos, os banhos com brincadeiras, o amor. 

E para quem gostou e quer saber mais um pouco sobre o livro e como comprá-lo, entrem no site Papai Pop.  

Hoje, o Piangers, faz sessão de autógrafos aqui em Porto Alegre, na livraria Cultura do Shopping Bourbon Country, às 19h.

E quem é de Santa Catarina pode conferir nas seguintes datas e locais:

Dia 15 de agosto, sábado às 17h sessão de autógrafos na livraria Saraiva do Shopping Beira Mar – FLORIPA
Dia 16 de agosto, domingo às 17 horas sessão de autógrafo e fotos no Norte Shopping - BLUMENAU
Dia 29 de agosto, sábado às 20h sessão de autógrafos na livrarias Curitiba/Catarinense do Shopping Mueller – JOINVILLE

E só lembrando, toda a renda do livro será doada, então é mais do que dar um presente super legal para um papai, estarás ajudando quem preciso. Parabéns, Piangers, por mais um gesto tão bacana como esse.

ps: todas as imagens retiradas da página do facebook do próprio Piangers.

A relação dos pais separados

Imagem retirada da internet

Eu consigo ter a total certeza do quanto deve ser complicado para uma mãe solteira a relação com o pai do seu filho. Algumas vezes foi um relacionamento que não terminou bem, que deixou mágoas e isso se transfere para a relação de vocês como pais e com o filho de vocês.
Hoje eu resolvi falar desse tema tão delicado que é a relação dos pais separados.
Depois que eu pude compartilhar a minha história de filha de mãe solteira com muito mais gente do que eu poderia imaginar, fui convidada a participar de grupos de mães solteiras e consegui conversar com tantas outras mães solteiras e notei que o maior problema de tudo isso que elas enfrentam é como conduzir essa relação com o pai do seu filho.
Elas como mães leoas não demonstram problemas com o amor pelos filhos ou como educá-los, por isso digo não ser essa a parte mais difícil de conduzir como mãe solteira.
Bom, vou contar um pouquinho do meu caso para depois falar o que eu penso e como senti tudo isso.
Eu já comentei aqui que quando pequena, a partir de uns 3 anos até os 5, algumas vezes minha mãe me levava para ver o meu pai onde ele trabalhava. O encontro não era muito demorado, ele não era muito carinhoso comigo e nem era aquele que tentava brincar ou coisas do tipo. Os encontros se baseavam em minha mãe falando para ele algumas coisas que ele perguntava, mas era algo bem tranquilo, nunca houve discussão, reclamações ou qualquer coisa parecida. 
Quando eu perguntava para minha mãe dele, ela nunca falou mal. Falava mais ou menos como ele era, me mostrava algumas poucas fotos que ela tinha com ele e deu. Nunca saiu da boca da minha mãe, até eu me desiludir completamente com ele agora, uma frase como "ele não presta". Nada disso! Nunca!!!
A minha mãe nunca o exaltou, mas nunca falou mal. Ela simplesmente contava por cima como tudo aconteceu, nunca tiveram detalhes de brigas, discussões ou algo semelhante. Ao falar do término deles ela apenas me disse que eles não se amavam e que o relacionamento não deu certo. Sempre me pareceu que a minha mãe saiu muito bem dessa relação, as mágoas que ela possa ter dele nasceram depois com o fato dele não querer ser meu pai e depois por todas as mancadas que ele já deu comigo.
Qualquer mágoa que eu possa ter dele não foi construída pela minha mãe e sim, só e somente só, por ele e é a partir daí que eu começo a minha real conversa com vocês.
Vocês podem nunca ter namorado, mas vocês juntos sempre serão mãe e pai dos filhos de vocês. Sabe aquela história de pai e mãe não se separam, é a mais pura verdade. Para os filhos de vocês, vocês são um só, mesmo que para eles vocês nunca terem sido um casal.
Uma vez escutei de uma mãe "ahhh o meu filho tem que aprender desde pequeno que os pais são separados e por isso terá festas de aniversário separadas". Tudo bem ele saber que os pais são separados desde que ele é pequeno, mas ele não precisa saber que os pais se odeiam desde pequeno, que não conseguem conviver em um mesmo ambiente tão importante para ele desde pequeno.
Mulheres, quantas vezes vemos reclamações de mães que dizem que os pais não dão bola para os filhos, que se negaram a registrar ou que apenas pagam pensão? Muitas e muitas vezes, esses pais muito provavelmente não vão bater na tua porta querendo visita, claro que algumas vezes eles caem em si e isso pode acontecer. E isso faz com que fiques receosa se o teu caso for o último e por isso deves resguardar o teu filho, pedir mais cautela em tempos de visita e tudo mais, por medo de que ele volte a desaparecer. 
Mas se esse não é o teu caso e esse pai é presente desde o começo, mesmo que vocês não se deem mais tão bem ou então ele é o que mudou e agora está presente, tu realmente queres ser a pessoa que vai dificultar a relação do teu filho com o pai? Colocando impedimentos para as visitas, falando mal dele para o teu filho, discutindo com ele na frente do teu filho? Eu sei que pais também fazem isso e falo o mesmo para eles, vocês querem ser os responsáveis pelas birras do teu filho com a mãe? Ou com brigas entre eles? Acho que não, então o relacionamento entre vocês deve ser repensado.
Brigas na frente do filho, nunca façam isso! Falar mal do outro para o seu filho, nunca façam isso e passe isso para as outras pessoas da família que convivem com seu filho. Festas de aniversário separadas, evite isso. 
Lembro na minha formatura da faculdade eu presenciar alguns problemas como esses das festas separadas. Lá em Recife, a formatura é uma só, não existe recepção própria do formando como existe no Rio Grande do Sul. Então não tem como separar festas, e como fazer com pais separados que se acostumaram com festas separadas? Alguns dos meus colegas tiveram que comprar 2 bailes (mesas) para poder ter mesas separadas e os pais não precisarem se olhar naquele momento tão importante para o filho.
Vocês sabem como os meus colegas, já com mais de 20 anos, ficavam com essa situação? Péssimos! Eles viam que a maioria dos seus colegas, mesmo com os pais separados, teriam uma única mesa e eles tendo que pensar a melhor maneira para que os pais não se cruzassem e brigassem durante a festa tão importante para ele. 
O mesmo acontece com as festas de aniversário, criança ama festa e adora ter várias festas de aniversário, mas essa criança quer que seus pais estejam juntos nesse momento, juntos para celebrar a sua vida e não separados. Essas crianças não devem e não tem que lidar como uma situação tão horrível que é a não tolerância dos pais. 
Imaginem a situação, a criança mora com a mãe e essa mãe fica só falando na festinha que a criança vai ter de aniversário com isso, com aquilo... Aí a criança vai para a casa do pai e o pai falando coisas parecidas. Na cabeça dessa criança ela entende que os pais vão estar juntos nesse momento. 
Chega o dia da primeira festa e o pai não vai. Vocês conseguem imaginar a decepção dessa criança? O que dirás para o teu filho? Falarás que o pai não foi porque ele não pode ou porque ele vai ter outra festinha ou porque vocês não se dão bem? Como explicarás ao teu filho a ausência do pai? Qualquer resposta pode ser algo bem complicado, pois podes sem querer dizer ao teu filho que ele não é tão importante para o pai dele (eu estou usando na festa da mãe e a ausência do pai, mas isso é o mesmo para a festa do pai com a ausência da mãe). Vocês conseguem compreender que qualquer resposta pode criar algum tipo de tristeza ao teu filho que pode não ser externada naquele momento, mas terá consequências mais para frente?
Eu sei, entendo, mais que compreendo, que algumas vezes pode ser difícil, ou pela família do pai ou da mãe, possíveis namorados de algum dos dois, mas tudo tem que ser superado por causa do filho de vocês que é o mais importante de tudo isso. É somente um dia e todo mundo consegue ser civilizado, só cada um pensar "estou aqui pelo meu bem maior", isso serve para os pais e avós. 
Faça sempre o melhor para a aproximação de pai e filho, não impeça por ciúme ou egoísmo.
Uma criança ter que lidar com os problemas dos pais é horrível.

Imagem retirada da internet

Eu que já não era mais criança tive que contornar alguns problemas do relacionamento da minha mãe, pai e madrasta e já foi uma situação terrível. E isso que eu não era mais uma criança. Eu fico imaginando uma criança, um adolescente tendo que lidar com esses problemas, seria algo verdadeiramente insuportável. Pois a criança gosta das duas partes e não quer magoar ninguém e ela tem que ter todos os cuidados do mundo para não fazer isso, enquanto o certo seria esses adultos fazendo tudo de melhor para que essa criança se sinta bem, não saiba de qualquer problema entre eles e não precise ficar dividida. 
Nunca pense "mas meu filho não vai querer saber que eu fiquei mal naquele ambiente junto com o pai dele", ele nunca precisará saber, pois ele não tem que carregar esse tipo de peso
Pensem sempre antes de qualquer decisão, será que isso é o melhor para o meu filho? Será que não estou colocando as minhas vontades na frente? E assim faça o melhor!

Eu sofri bullying

bullying

Antigamente não conhecíamos esse nome, mas se sofria da mesma forma. Acho que não tínhamos relatos de ninguém se matando por causa disso, pois não tínhamos a internet e as redes sociais para que tudo fosse pior ou que as informações se propagassem. E posso dizer, tenho medo do futuro da minha filha por causa disso.
Eu sofri muito com as brincadeiras e discriminação tanto na infância quanto na adolescência. Acho que o primeiro caso que eu lembro, foi de uma professora, a mesma que me forçou a fazer um desenho para o pai que eu não tinha (bem querida ela, né?), mas vou dizer para vocês que ela tinha bem cara de pessoa tranquila e amável e assim ela falava as coisas ferindo as crianças lentamente sem que fosse tão brutal quanto um grito pudesse ser. 
Depois foram as fases das mudanças e cedo eu já tinha muitas espinhas, então comecei a sofrer com isso. Mas vou dizer, nada parecido com o que eu sofri quando adolescente. 
Bom, depois que minha avó faleceu o dinheiro lá em casa apertou e a saída para continuar estudando em escola particular foi conseguir uma bolsa. E foi exatamente isso que a minha mãe fez, foi o melhor para os meus estudos, mas complicado para eu não me sentir menos do que os outros. 
Eu me sinto a pessoa ame ou deixe-o, sabe?! Sei que não sou uma unanimidade, pois desde sempre não aceitava a história de dançar conforme a música. Claro que isso fez com que eu sofresse a vida inteira. 
No último ano nessa escola umas meninas me perseguiram sem parar, até que um dia eu cansada soltei uma piadinha sobre elas no meio da sala (eu sei, eu pedi). Bastou para que uma delas resolvesse me bater. Mas acho que eu estava com tanta raiva de tudo que tinha sofrido, que no final, quem acabou apanhando foi ela. Nem imaginava a força que eu tinha, mas o que uma raiva acumulada não faz?! 
O problema maior foi quando acabou o 1º grau e eu precisei trocar de escola, já que a minha escola só ia até a 8ª série. 
Eram colegas que eu não conhecia, a maioria de famílias com dinheiro e já tinham seus grupinhos (eu era de uma cidade pequena). 
Primeiro sofri pela minha fisionomia, lembram que a gente estava com problemas financeiros, então, precisava usar aparelho nos dentes e naquela época era super caro e neste ano não tinha como eu colocar. Então muitas vezes ficavam com brincadeirinhas com isso. 
Depois eu ainda consegui fazer inimizade com algumas meninas e elas fizeram questão de todo momento que pudessem me humilhar publicamente. E eu contava tudo para minha mãe, mas minha mãe mesmo tentando intervir era complicado.
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Adendo sobre a minha mãe, ela além de ser mãe solteira, também é filha de mãe solteira. Uma vez voltando da escola foi atacada por um cara na rua, chegou em casa chorando e foi contar para a minha avó e a minha avó não fez absolutamente nada, pois como era mãe solteira achava que tinha que aceitar tudo que faziam a elas. Naquele dia minha mãe prometeu para ela mesma que sempre iria defender a futura filha dela, não importasse o que fosse. 
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E isso minha mãe fez sempre, até algumas vezes exagerava. Mas hoje entendo mais ainda que tudo que ela fez foi para que eu não sofresse, porém é complicado num ambiente escolar, já que precisamos conviver todos os dias com as pessoas que nos atacam.
Com a minha fisionomia depois de um tempo aprendi a entrar na brincadeira e acabei virando amiga dos meninos que me incomodavam. É aquela história, se não pode com eles, junte-se a eles. E do mesmo jeito que eles soltavam brincadeiras para mim, eu soltava para eles e tudo ficava tranquilo. 
Eu fiz magistério nessa escola e então tentava andar mais com as meninas que faziam magistério também do que com os colegas que faziam ensino médio normal. No primeiro ano eles juntavam as turmas e não tinha divisória entre magistério e ensino médio, isso só aconteceu no 2º ano. 
Só que a menina que eu comecei a andar mais, já estudava desde pequena na escola e tinha uma certa condição melhor que a minha. Um dia resolvemos ir em um show e ela chamou as amigas que eram de outra escola para irem também. 
Mas do nada ela disse que não tinha como me dar carona. Ok, tentei entender mais ou menos e fui com os meus primos. Quando estava chegando no local do show, bem na frente, lá está essa minha "amiga" saindo do carro do pai dela com as 2 amigas. 
Olho para o carro e notei que não tinha qualquer motivo para ela não me dar carona, mas tudo bem, era uma idiota e fiquei andando com elas no show. 
Passado alguns dias noto que essa minha "amiga" não quer mais falar comigo, estava estranha. Até que um dia resolvi ligar para ela para saber o motivo e me falou sem pestanejar "minhas amigas te odeiam"
Desliguei o telefone muito triste e chorando muito. Depois ainda descobri o motivo do ódio delas, eu não tinha carro.
Vocês conseguem imaginar como é isso? Que valores essas criaturas tinham recebido? Como é que uma pessoa pode não gostar da outra por causa de bens materiais e não por caráter, simpatia...
Ainda sofri com essas pessoas no meu segundo ano do segundo grau e no terceiro ano aos poucos eu conseguia me virar. Tinha 2 amigas de sempre e convivia mais com a galera que não era da minha turma e me aceitava pelo que eu era e não pelo que tinha (amigos que tenho até hoje). 
Posso dizer que eu sofri muito por isso, mas a vida continuou.
O meu outro problema era que eu me identificava muito mais com os meninos na hora de ter qualquer relacionamento do que com as meninas. Eu era aquilo, se eu gostava, gostava apenas daquele e era isso. Tive colegas que mesmo sabendo que eu gostava do menino ficavam com ele e eu não brigava, pois nunca quis colocar os namoricos na frente das minhas amizades. Mesmo algumas delas ficando apenas para mostrar poder. 
Mas a maioria das meninas não pensam assim e isso era um problema, pois como eu pensava diferente, no momento que elas me diziam que não gostavam de fulano de tal, era carta branca pra eu poder ficar com o menino se eu estivesse afim. 
E sendo assim, tive problemas com isso. Mais precisamente no meu 1º ano da escola nova que aguentei meninas que tomaram as dores de outra que nem ficou de mal comigo e resolveram me perseguir, fazer musiquinhas e coisas piores para me humilhar. E frisando, a menina que teria sido "atingida" nunca brigou comigo, muito pelo contrário.
Nunca fiz por mal, muito pelo contrário, era apenas uma soma de fatores, pensar como os meninos de que se o guri não quer estar comigo e sim com outra a vida segue e eu não vou ficar brigando com ninguém por causa disso e minha baixa auto estima de ver que um menino que outras meninas achavam bacana estava interessado por mim. 

Imaginem que aconteceu tudo isso, que para alguns pode até ser besta, em épocas antes da internet, imaginem se existissem redes sociais? Certo que o grupo que gostava de me atacar no meu primeiro e segundo ano de escola teriam me feito coisas horríveis em um facebook, por exemplo. 

E é disso que tenho medo, pois não sei o mundo que espera a minha filha, qual o tamanho da maldade. Quantos pais que não entendem que isso começa na infância e o que fazem perto das crianças são exemplos que arrastam. Já notei algumas coisas chatas aqui no condomínio com a Malu e encontrei esse relato da Mari do blog Caderninho da Mamãe que corrobora um pouco com o que falei "Bullying infantil. Ou sobre quando minha filha foi rejeitada."

O que isso trouxe para a minha vida é que mesmo com a minha auto estima tendo ficado mais elevada com o passar dos anos, algumas vezes, ainda me sinto voltar para a adolescência nos tempos de colégio. Com pessoas que ainda valorizam mais o ter do que o ser, com panelinhas e atitudes mesquinhas e essas pessoas depois têm filhos e passam esses valores distorcidos para as crianças. 
Sinceramente, espero muito que isso mude, mas aos poucos vejo que só o que posso fazer é preparar a minha filha e ensiná-la que o que conta é o coração. 
Torço para que muitos outros pais façam o mesmo!

discriminação
Imagem retirada da internet
* Esse texto foi editado depois de fazer mais algumas análises de mim mesma.

Adoção!

Eu sei, entendo que toda mãe quer gerar o seu próprio filho, mas chega um momento que todas as forças e meios já foram esgotados e a ideia é entregar para Deus. E vejo o quanto é difícil o casal optar pela adoção, essa decisão é uma grande mudança, algumas vezes uma mudança maior do que a gravidez. Pois mesmo que a gravidez seja planejada e esperada ela chega quando Deus quer, mas "teoricamente" a adoção não. Eu digo teoricamente, pois passar por todo aquele processo até a criança chegar aos teus braços é algumas vezes maior do que uma gestação e muitas vezes também frustrante e chega quando Deus quer.
Aí para ajudar vocês, vou contar a minha história. Eu não sou adotada, mas tenho um irmão que é.
Já contei aqui que a minha mãe é mãe solteira, mas ela tem um coração enorme que não cabe no peito e quer sempre ajudar a todos, sofre muito por isso e não seria diferente com crianças.
Antes do meu irmão chegar lá em casa, eu já tinha uma prima que foi criada como minha irmã lá em casa. A Adriana tem 6 anos de diferença de mim, eu tinha 2 anos e ela 8 quando começou a morar lá em casa. Então na verdade, tenho 2 irmãos adotivos, mas quase. Pois a Adriana, a minha tia tinha poucas condições e a minha mãe disse que poderia criá-la melhor e minha tia aceitou.
Já o meu irmão o negócio foi mais sofrível. O Fernando é meu primo de 2º grau (olha a loucura), a mãe dele minha prima queria muito ter filhos, depois de milhares de tentativas frustradas conseguiu engravidar. O Fernando nasceu, aquela festa, até que quando ele tinha 1 ano e 3 meses, ela cansou de brincar de casinha, se separou do pai dele e nenhum dos dois achou que estava afim de continuar com a responsabilidade de serem pais. Prefiro nem comentar o que eu acho, ainda mais agora que sou mãe.
Aí nesse pra cá e pra lá, o Fernando parou lá em casa. Minha mãe teve a guarda provisória dele por um tempo até ter a definitiva. Aconteceram vários problemas nesse meio, com relação ao relacionamento com a mãe dele, mas é tanta coisa que seria uma loucura contar, precisaria de mais e mais posts.
Mas o que eu posso dizer é que não é super fácil ser mãe de uma criança gerada em outro ventre, pois ela vem com uma bagagem que muitas vezes desconhecemos. Até mesmo nós que éramos parentes, não sabíamos o que acontecia no dia a dia dele antes dele ir lá pra casa. 
O nosso estilo também não foi muito fácil, pois como a minha mãe sempre teve esse super coração, ela não negava as visitas do pai e da mãe e isso muitas vezes não fez bem ao Fernando. Até porque lá em casa ele não tinha uma figura masculina e quando o pai dele aparecia para ele, ele era o herói que levava doces, balas e passeava com ele na pracinha. Definitivamente, para uma criança, isso não tem comparação, enquanto minha mãe era a que mandava ele comer verduras, feijão com grão e "obrigava" ele a fazer as tarefas da escola.
A adoção é um ato de amor, não existe preocupação se será o mesmo amor que o do filho que foi gerado na barriga. Ele é o mesmo! São as mesma preocupações, o mesmo amor, as mesmas brincadeiras, os mesmos passeios.
Claro que a adoção do meu irmão não é a mesma que acontece em quase 100% dos casos, ela é uma adoção para criança muito mais complicada, pois todo o vínculo não foi cortado. Eu tenho contato com pessoas que tem filhos adotivos e vejo que nessa parte é muito mais "fácil". 
A criança sempre terá gratidão e muito amor, pois sabe que aquilo foi muito maior do que uma opção, foi buscada, passou por vários termos burocráticas e a pessoa se abriu para uma criança que não tem laços sanguíneos, mas terão laços de amor eternos.
O meu exemplo não é o mais comum, sofremos muito com cada etapa que passamos em ele. O Fernando não comia, teve anemia profunda, a mãe dele uma época resolveu ser mãe novamente, ele sofreu com isso, teve terror noturno e lá sei eu todas as rezas que a minha mãe fez. E por isso que sempre vi o grande amor que ela tem por ele e que nós temos por ele. É aquilo, ponto, ele é meu irmão. Ele pode não ter sido gerado na barriga da minha mãe, mas, definitivamente, foi gerado no coração de todos nós.

Minha formatura no Direito

E ele nem pode ver esse post, porque ele é um mala e vai se achar!eheheh

Malu e o tio "Finando"

Dia das Mães

Hoje eu poderia vir aqui e falar milhares de textos lindos e dizer o que sinto em ser mãe, mas resolvi dizer como me sinto em ser filha e em ser neta.
Minha homenagem vai para as mulheres que me cuidaram, me criaram, me educaram e, principalmente, me amaram, minha mãe e minha avó.
Já contei aqui que sou filha de mãe solteira e por isso tenho um orgulho enorme da minha mãe, pois sempre buscou o melhor pra mim, mesmo que tudo pudesse estar contra.
A vovó Mary da Malu é a minha mamãe Mary, ela é o meu porto seguro, minha melhor amiga, uma avó sempre pronta a estar com a neta e a cuidá-la da melhor forma possível. A amizade que tenho com ela é a que eu quero que a Maria Luísa tenha comigo.
A minha mãe sempre foi minha amiga, mas sabia dar limites quando precisava (aiii acho que até exagerava.rsrsrs). Quando alguém vem me dizer que quer ser amiga dos filhos e por isso tenta evitar ser tão dura, chata mesmo em dizer não, vejo que não é esse o caminho, pois eu tive o exemplo em casa. Minha mãe sempre foi furiosa, reclamava mais que... tá não vou usar jargões populares, mas reclamava muito quando fazíamos coisas erradas, não fazíamos o que ela mandava, tirávamos nota baixa, não arrumávamos o quarto, bom a lista era enorme, mas ela sabia o momento de ser amiga, de ser companheira.



Gente, eu chegava da balada e sentava no chão do quarto dela e contava tudo que tinha acontecido. Ela sabia quem eram todas as minhas amigas e até os peguetes de cada uma, pois eu contava tudo. Acho que por isso ela sempre teve muita intimidade com os meus amigos, pois por mim ela conhecia eles direitinho. 
Minha mãe me falou coisas duras quando eu precisei e me acarinhou em momentos difíceis, sei que ela sofreu todas as vezes que eu sofri, todas as vezes que eu não entendia os motivos das coisas acontecerem comigo. Mas sei o quanto ela vibrou com cada vitória minha, cada aprendizado e com a pessoa que me tornei.
Ela é a minha maior incentivadora, tudo que acontece na minha vida pego o telefone e já saio contando. Ainda bem que os telefones são da mesma operadora!kkkkkk 
Pessoa forte, guerreira, que enfrentou várias batalhas duras na vida e sei que ainda passa, mas é uma pessoa com um coração enorme, generoso, que sempre olha o outro, que sempre quer ajudar, que não se cansa em fazer o bem.
Existe maior prova de pessoa maravilhosa que é, eu tenho dois irmãos por parte de mãe, mas eles são filhos de coração dela, a minha irmã é minha prima ,filha de uma das irmãs dela e o meu irmão é meu primo de 2º grau, filho de uma sobrinha. Minha mãe é professora e não tinha um super salário, mas sempre fez questão de nos dar o melhor, poderia ter negado a acolhida, mas em nenhum momento pensou nisso, muito pelo contrário. Quando essa minha tia faleceu, irmã da minha prima, tentou cuidar de um outro primo meu, mas como ele já era maiorzinho não se adaptou as regras da casa e decidiu ir para a casa de uma irmã. Além dos vários bichos que ela adota, já teve cachorra que a vizinha não cuidava, cachorro que nos adotou quando nos mudamos e ela ficou com pena e colocou pra dentro de casa, a mais recente é a Mila que ela encontrou cheia de pulga na rua bem pequena e pegou só para cuidar disso e depois colocar para adoção e não conseguiu.

Mãe, te amo muito e só tenho que admirá-la mais e mais. Eu, hoje, como mãe, começo a entender e te dar mais valor ainda a tudo que passaste. Desculpa por muitas vezes brigar por não entender os teus nãos, mas eu era muito nova pra saber que era apenas proteção.

Bom, e a minha avó, minha avó foi a que junto com a minha mãe abraçou a causa de ter uma neta e querer dar o melhor pra mim. Foi a que me ajudava a fazer o tema, mesmo sabendo muito pouco. Me fazia cafezinho (é, eu tomava café quando criança, acho que por isso que sou ligada em 220), trazia bolachinha, acreditava em todos os meus fiascos para não tomar sopa (sempre tive uma veia artística) e não deixava a minha mãe brigar comigo.  
Eu não consigo escrever muito sobre a minha avó e não chorar e não pensar em como teria sido bom ela ter participado de momentos tão importantes da minha vida. Sei que onde ela estiver ela torce por mim e apoia todas as minhas escolhas. Pra mim ela foi a melhor avó que eu poderia sonhar em ter, ela é o que acho ser avó, pois ela me enchia de mimos, me enchia de carinho, era aquela avó que tinha tudo pra estragar, mas sabia fazer tudo na medida certa. Só me deixava doida quando gritava na porta de casa "Sabrina, vem tomar a tua mamadeira!", eu tinha 9 anos e falava isso na frente dos meus amiguinhos, zero de condições. E eu sempre dizia "vó-ó!" e ela falava "aii esqueci!"
E também era ela que fazia a melhor mamadeira, né mãe?! Quase deixava a minha mãe louca, pedia para minha mãe fazer e quando ela trazia eu dizia "ai, tá muito quente" ou "ai tá muito frio" e no final a vó que tinha que terminar de fazer e minha mãe ficava furiosa. 
O nome da minha vó era Maria e minha Mary (inglês Maria) e por isso a Maria Luísa tem Maria no nome, não tinha como não homenageá-las. 



Amo essas mulheres que me fizeram ser o que sou hoje, sei que não sou uma pessoa maravilhosa, mas sei que sempre tento dar o melhor de mim em tudo e principalmente ser uma melhor mãe a cada dia. Com certeza o que sou como mãe é muito o que elas me passaram e foram comigo.

Amo muito vocês minha mamães! Feliz dia das Mães!

Como decidi ser mãe?

Já contei como engravidei, um pouquinho de como preparei, mas nunca contei exatamente como decidi ser mãe. Na verdade eu não sei quando me lembro de que não queria, mas...
Minhas brincadeiras de criança sempre foram ser mãe, eu nunca brinquei de noiva, casamento e coisas assim, sempre pulei para o ser mãe. Acho que como minha mãe não era casada, meus padrinhos tinham se separado, acho que não era um trauma, era só uma opção, ser mãe, mas não sonhar em casar para que isso acontecesse.
Vou falar que filhos de mãe solteira tem um orgulho enorme da mãe, ainda mais no meu caso que ela não era só solteira, meu pai não tinha contato comigo, não me ajudava financeiramente em nada, então minha mãe e minha avó que seguraram todas as pontas sempre. E depois que a minha avó faleceu ficou mais punk ainda para o lado da minha mãe, pois além de não ter a ajuda dela conosco, não tinha a ajuda financeira que ela dava.
Já estou trocando de assunto, mas voltando... Então sempre em todo momento das minhas brincadeiras eu era mãe! Mas os anos foram passando, eu crescendo, tomando juízo e vi que esse sonho ia demorar muito a acontecer, na verdade eu nem pensava nele e morria de medo que ele batesse na minha porta antes de tudo que eu tinha planejado para minha vida acontecer.
Eu, filha de mãe solteira, que se orgulhava de ter me cuidado sem um pai, sempre pensei em construir tudo que eu quisesse primeiro pra depois pensar em casar e ter filhos, no meu caso, ter filhos apenas.
Mas aí a vida não é exatamente como planejamos, entrei na faculdade, conheci o meu futuro marido (depois conto essa história), casei e... Pera! Não contei, eu comecei a namorar o Daniel e ele vinha com a história que queria ter filho antes de completar 27 anos (oi?!). Não meu filho, eu ainda estava na faculdade, demorei um pouquinho mais para entrar e com a idade que ele planejava eu ainda estaria fazendo a dita cuja. Pode parar!!! Foi difícil, mas ele entendeu um pouquinho.
Ele queria ter filho cedo, pois meus sogros tiveram filhos com um pouco mais de idade do que a maioria, mais o meu sogro. E ele achava isso ruim, pois disse que queria ser ativo para os filhos, tive que provar por a mais b que não tinha fundamento, já que ele com uma vida saudável não teria problema de curtir tudo. Meu sogro foi um jovem não muito regrado e o corpo depois de um tempo cobrou tudo, por isso sempre falo em vida saudável por aqui. Voltando... Hoje está cruel nas idas e vindas.
Ufa, consegui convencer o menino. Casamos, fomos embora pra Olinda e numa conversa com uma amiga resolvi dar data para esse tempo que eu iria esperar e coloquei que em 2012 teria meu filho (casei em 2007), simmmm filho, pois queria menino primeiro e depois menina. Essa minha amiga já achava que tinha que ser o contrário. Mas eu não tive irmão (menino, mesmo) mais velho e achava o máximo as amigas que tinham, inclusive essa minha amiga que combinamos de ter filhos juntas tinha um irmão mais velho.
Mas os anos foram passando e minha veia mãezística sempre se mostrava, um grupo de amigas de Recife por muito tempo me chamavam de "mãe", não por ser mais velha que elas, mas porque sempre cuidava delas e as enchia de conselhos e vou dizer que amava isso, depois de um tempo elas começaram a me dar tantos conselhos que me chamar de mãe não dava mais.rsrsrs
Só que com esse tempo passando, eu comecei a não me sentir tão preparada assim e já começava a pensar em abortar o plano de 2012. Fiz os exames pra saber como eu estava como já contei aqui, mas zero de achar que queria ser mãe. Simplesmente aquilo não vinha mais em mim.
Mas em 2010, eu me torno madrinha da Giovanna e as coisas começavam a mudar. E comecei a notar que tinha muito jeito com crianças. Acho que nem a minha cunhada sabe, eu na casa dela, estava indo para sala e escuto que a conversa dela com a diarista era sobre mim (vai que ela fala mal de mim.rsrsr), mas ela estava me elogiando, dizendo que eu tinha muito jeito para cuidar da Giovanna desde quando ela era bem bebezinha. Claro que fiquei emocionada escutando isso e aí a parte materna voltou a se aflorar.
Lembro quando a Gi foi lá pra casa com 4 meses e ficamos com ela para os papais poderem ver um filme no cinema, ela ficou super bem conosco, mas fez um super cocô que chegava até o umbigo. Meu marido quase passou mal, teve ânsia de vômito, aquele fiasco e eu calmamente a peguei, limpei tudo, dei banho e dando risada do meu marido. Ainda mais que a Gi estava toda feliz que tinha conseguido fazer cocô, sem choro, só cocô.rsrsrs
Aos poucos aquela vontade de ter um filho foi aumentando, e no final de 2010, começo de 2011 sentamos e conversamos realmente da possibilidade de começarmos a pensar num filho. Um dia me peguei chorando pedindo a Deus que queria muito, pois achava que precisava de um motivo para viver e correr atrás do que eu queria. 
Nessa conversa, decidimos que 2012 realmente seria o nosso ano de engravidar e termos um bebê, vimos que nossa relação estava bem amadurecida, conversamos tuuudo. Já falei aqui que essa conversa é super importante, pois acho que só a partir dela se pode ter certeza da visão de cada um sobre maternidade e paternidade. Achamos a época perfeita, pois estaríamos no Rio, perto da família do marido, já que em 2013 já não saberíamos em que cidade iríamos estar, se perto ou longe da família.
Tudo certo, tudo ok, até que a gente conversando num aniversário, um amigo nosso que também iria fazer o mesmo curso que o Daniel me diz (como se a decisão fosse só minha) "Sabrina, vais querer ter filho em 2012 e só vais complicar o curso do Daniel, pois ele tem que estudar muito." Na hora fiquei tão sem reação, pois aqui sempre tivemos uma relação que a opinião dos dois valia muito e lá sei eu, não esperava. Aí não respondi, fiquei calada (milagre total) e fiquei mal, pois até fiquei pensando que era eu que estava colocando essa data e não um acordo entre os dois. eu acho até que eu teria esperado mais, mas a gente conversou tanto que via que aquele momento estava bom e que já tinha deixado o marido esperando muito tempo.
Chegamos em casa e eu conversei com o marido pra ver se era eu que estava pressionando e ele quisesse esperar mais um pouco. O meu marido era conhecido na faculdade como "psicólogo", mas com uma psicologia militar, e saiu de cara comigo dizendo que ele nunca tinha falado aquilo e que ele já estava perdendo as esperanças de um dia eu querer engravidar e muita revolta. Vi que não tínhamos tomado uma decisão errada, o abracei e disse que tudo estava de pé.
Vida que segue, nos formamos, Uhuuuu!!! E aí começamos a pensar no sonho, a coisa foi meio maluca, pois nos liberamos e depois pensamos que o plano de saúde do Exército não era tão bom, então paramos de nos liberar pra eu encontrar um bom plano de saúde. Aí encontrei e como tinha carência, tínhamos que esperar, mas aí... tarde demais, nós já estávamos grávidos. \o/

Quando soube que estava grávida, confirmo que fiquei sem dormir achando que poderia ter tomado a decisão errada, por não saber se conseguiria dar conta. Mas aos poucos fui vendo que estava mais certa do que nunca da decisão que tivemos, a Malu é o meu norte, realmente ela veio para eu achar um sentido na minha vida.

Vocês agora devem estar pensando, mas ela não disse exatamente como se sentiu preparada... Eu comecei a ver que estávamos preparados quando a nossa conversa começou a ser de como educar os filhos, o que cada um achava, via que tínhamos as mesmas opiniões sobre isso. Quando encontrávamos crianças na rua a gente apontava com aquela cara de idiotas, achando todos lindos, fofos e mais um pouco. Ahhh sim nós julgávamos pais e mães, achando que faríamos diferente (aprendemos a não fazer mais isso.rsrsrs). Nós pensávamos em como a Charlotte seria com o nosso futuro filho, pensávamos em nomes, pensávamos em muita coisa. Eu também pensava na festa de 1 ano, lá sei eu, 1 ano antes de pensar na época certa que teríamos um filho, já tinha tema escolhido e em quando eu tive um ataque histérico no carro quando passamos por uma casa de festa infantil, que o tema da festa era circo e eu saí gritando que era daquele jeito que eu queria a entrada da festa de aniversário de 1 ano do meu filho (eu já estava grávida nesse dia e não tinha a mínima ideia). Acho que nesse dia eu tive total e completa certeza e os ocupantes do carro também. rsrsrs O meu coração dizia muito que era a hora, eu digo que achava que poderia esperar mais um pouco, mas isso era a minha parte racional, mas o coração estava doido por um filho. 
Nós colocamos o lado emocional e o financeiro na balança e vimos que os dois estavam casando. Pois, vou ser bem sincera, a parte financeira pesa muito e é racional e bom para o casamento pesar isso, não fique sendo mesquinho, mas pense se dá para pagar o que vocês querem para o filho de vocês, pra gente era ter alguém para ajudar em casa e depois a escola, claro que alimentação e roupas, mas isso é meio óbvio, mas digo coisas que tu aches importante e que em algumas família pode ser diminuído e cortado. No nosso caso, a escola sempre foi uma prioridade e por isso ainda não partimos para o segundo filho, pois achamos que com o segundo teríamos que trocar a Malu de escola ou o novo bebê não poderia estudar no mesmo estilo de escola. 
Quando tudo isso foi visto e revisto tivemos a certeza de que era só esperar a hora que Deus achasse certo e teríamos o nosso baby.


A influência da madrasta

Muitas leitoras só souberam que eu era filha de mãe solteira depois que apareci no programa da Fátima Bernardes contando sobre o assunto. E a partir daí recebi alguns pedidos para contar mais um pouco sobre esse assunto e aqui estou eu para falar de um ponto muito importante que é a influência da madrasta que pode ajudar ou não para a aproximação de pai e filho.
Eu só consegui ver a importância da madrasta na relação de pai e filho, depois que eu fui mãe, pois só sendo mãe eu consegui ter a dimensão do quanto isso pode influenciar nessa relação.
Essa semana está mostrando muito isso na novela I love Paraisópolis, pois a protagonista acabou de virar madrasta. Em um capítulo que ela tinha acabado de casar, mostrou seu ciúme na relação do marido com a futura mãe da criança e isso pode ser um grande problema para que a relação do pai e da criança amadureça e seja saudável.
Normalmente a madrasta chega depois da gravidez já estar "formalizada", sei que pode acontecer de forma diferente, mas deixo para uma outra oportunidade, então muitas se colocam como "eu cheguei depois" e ponto e não é bem assim que tudo funciona.
Por exemplo, no meu caso, a minha madrasta chegou muitos anos depois, eu já tinha mais ou menos uns 9 anos, pelo que eu sei. E o meu pai não tinha me assumido como filha, mas ele contou a ela da minha existência, mas ela se colocou como tendo chegado depois e ponto, sem querer se meter na situação.
Eu antes entendia a posição dela, mas agora como mãe penso completamente diferente.
A maioria dos homens são inseguros, se o cara até hoje não tomou uma decisão de assumir um filho, pode ser que ele precise de uma ajuda para isso. Pois eu sou aquela que pensa "se o cara sabendo que tem um filho não o assumiu, como será com um filho meu?" Pois é, isso é um ponto bem importante para se pensar. Pois o cara está negando amor a uma criança e tu permitindo isso pode ser um problema mais para frente no teu relacionamento. Para mim parece um aval para que ele não seja tão responsável quando tiver um filho contigo.
E como eu disse, possa ser que ele precise de um empurrão para que essa relação aconteça e tu podes ser a pessoa responsável para que isso se torne real. No momento que tu te colocas "tu decides o que queres fazer" para o homem é como "eu prefiro que tudo continue do jeito que está", ou não é? 
Mulher conhece mulher e todas nós sabemos que quando queremos algo falamos o nosso ponto, insistimos, não existe mulher no mundo que não faça isso e quando tu colocas um "tu decide" é que ela não quer e o homem entende muito bem isso e prefere deixar como está, pois ele está num relacionamento amoroso legal e não quer que isso estrague.
Depois que virei mãe e sendo filha de mãe solteira, comecei a entender da grande influência que a madrasta tem nessa relação, vejo que a madrasta deve ser a pessoa que pode ter o poder de fazer esse elo. Não precisa ser ela e nem acho que deva ser a pessoa que vá ao encontro da criança, mas ela é a que diretamente com o seu companheiro tem como ajudá-lo a tomar a decisão de ter um contato com essa criança que realmente necessita dessa figura paterna. 
Saber se essa criança precisa de algum tipo de auxílio é muito importante e principalmente pelo fato do amor que sempre é valioso para qualquer criança em qualquer momento da sua vida. 
Entenda madrasta, essa criança não rouba teu espaço, não rouba teu amor, ela pode se transformar em um filho teu mais para frente e essa criança terá um afeto muito maior sabendo que fostes um pouco responsável para que essa relação acontecesse de maneira saudável.
Nunca impeça que teu namorado ou marido visite a criança, nunca coloque empecilhos, nunca faça caras feias, não demonstre ciúme por essa criança, lembre-se sempre que ela é a maior inocente dessa relação toda. Pois mesmo tu tendo chegado depois, mas sabendo de tudo, tu não tens como te colocar no patamar da criança que não pediu em nenhum momento para que a família dela fosse diferente da "tradicional". Tu és sim peça chave para que essa relação continue saudável ou se torne saudável.
Eu sempre falo, quando tu não entras numa relação enganada, começas ali a ter uma grande responsabilidade. Ter ciúme da criança ou da mãe da criança será tão ruim para o relacionamento da criança com o pai, como para o teu próprio relacionamento com o teu companheiro. E isso eu falo tanto para uma relação de pai e filho que ainda não se formou (pelo pai não ter assumido), quanto para uma relação de pai e filho já consolidada. 

Foto retirada do blog  Candice Curry: Women with Worth onde tem uma carta linda escrita por ela para a madrasta da filha.

Próximo tópico aqui será sobre a relação da mãe da criança com o pai, vou deixar para a próxima semana. 
Caso queiram saber mais como fazer algo diferente nessa relação, tirar dúvidas, falar teu posicionamento ou até mesmo teu depoimento pessoal, entre em contato comigo pelo email: mamaeemconstrucao@gmail.com 

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